O Vaticano exigiu ontem que um de seus bispos, o britânico conservador Richard Williamson, se retrate publicamente por ter negado o extermínio de 6 milhões de judeus pelo nazismo na Segunda Guerra.

Em comunicado, o papa Bento 16 disse que desconhecia a posição de Williamson sobre o Holocausto e que tal visão histórica “é absolutamente inaceitável e firmemente rejeitada” pelo pontífice. E só com um pedido de desculpas o bispo poderá assumir suas funções.

Williamson, junto com outros três bispos conservadores da Sociedade São Pio 10º (SSPX), foi reabilitado por Bento 16 no último dia 24. A polêmica medida gerou inúmeras críticas: o Grande Rabinato de Israel cortou relações com o Vaticano, e, anteontem, a chanceler alemã, Angela Merkel, pediu que a Igreja Católica deixasse “definitivamente claro” que não permite a negação histórica do Holocausto.

Nas palavras de Williamson, “não existiram câmaras de gás, e (…) entre 200 mil e 300 mil judeus sofreram nos campos de concentração”. O bispo também afirmou que Deus não queria que mulheres estudassem e que o 11 de Setembro foi uma conspiração dos EUA.

Ele depois lamentou ter causado “tensão desnecessária” ao papa, mas nunca se retratou.

Williamson e os demais bispos da SSPX foram ordenados em 1988, pelo polêmico arcebispo ultraconservador Marcel Lefèbvre (1905-1991), sem autorização do então papa João Paulo 2º -para quem a SSPX contrariava as reformas modernizantes do Concílio Vaticano 2º (1962-65). Por isso, foram excomungados.

Reconciliação

O comunicado emitido ontem pelo Vaticano abriu caminho à reconciliação com a comunidade judaica. “Foi um passo necessário para distender a crise moral causada pela readmissão [de Williamson]”, disse Elan Steinberg, vice-presidente da Associação Americana de Sobreviventes do Holocausto e Descendentes.

O Conselho Central de Judeus da Alemanha, que atribuiu a reação papal aos comentários de Angela Merkel, disse que o pedido de desculpas pode fazer com que a comunidade reate seus laços com o Vaticano.

Williamson, que mora na Argentina, não respondeu ontem às ligações da imprensa.

Fonte: Folha de São Paulo