O papa Bento XVI disse hoje que a fome e a desnutrição são “inaceitáveis em um mundo que dispõe de níveis de produção, recursos e conhecimentos suficientes para pôr fim a tal drama e a suas conseqüências”.

Assim assinalou o pontífice em mensagem lida pelo secretário de Estado vaticano, Tarcisio Bertone, durante a abertura da cúpula da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) sobre segurança alimentar.

“A pobreza e a desnutrição não são uma simples fatalidade provocada por situações adversas”, assinalou o papa em seu discurso.

Embora Bento XVI reconheça que lutar contra a falta de alentos é uma tarefa “difícil”, reiterou que “ninguém pode ficar impassível perante o chamado daqueles que passam fome”.

“O grande desafio de hoje é o de globalizar não só os interesses econômicos e comerciais, mas também as expectativas da solidariedade”, indicou.

Bento XVI expressou seu desejo de que os participantes da cúpula da FAO assumam novos compromissos e os levem adiante “com grande determinação”.

“A Igreja Católica deseja unir-se a este esforço com espírito de colaboração, para pôr fim ao problema do aumento do preço dos alimentos e seus efeitos sobre a população pobre”, acrescentou.

O papa fez referência à sua visita, em maio último, à sede das Nações Unidas, onde indicou que era “urgente” superar o paradoxo de um consenso multilateral que segue em crise por “sua subordinação às decisões de alguns poucos”.

Além disso, pediu a colaboração “cada vez mais transparente” das organizações da sociedade civil que trabalham para superar as diferenças entre pobreza e riqueza.

“O direito à alimentação responde a uma motivação ética, e está intrinsecamente vinculado à proteção da vida”, afirmou.

Fonte: EFE