O papa Bento 16, falando um dia após o Estado da Califórnia aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, reafirmou firmemente na sexta-feira que a posição da Igreja Católica é que somente uniões entre um homem e uma mulher são morais.

O papa não mencionou a decisão da Califórnia em seu discurso a famílias européias, mas ressaltou a posição da Igreja diversas vezes.

“A união do amor, baseado no matrimônio entre um homem e uma mulher, o que forma a família, representa um bem para toda a sociedade que não pode ser substituído, confundido ou comparado com outros tipos de união”, disse.

Ele também falou sobre os direitos inalienáveis da família tradicional, “fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher, sendo o berço natural da vida humana”.

Na quinta-feira, a Suprema Corte da Califórnia suspendeu a proibição de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, em uma grande vitória para os defensores dos direitos dos homossexuais. A Califórnia é o mais populoso Estado norte-americano.

No ano passado, a poderosa Igreja Católica italiana fez uma bem-sucedida campanha contra uma lei proposta pelo antigo governo de centro-esquerda que daria mais direitos aos casais gays e não casados.

A Igreja Católica prega que a homossexualidade não é pecado, mas os atos homossexuais são, e se opõe à adoção de crianças por casais gays.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que também se opõe ao casamento gay, rezou “pela família” na Casa Branca no mês passado, durante a visita do pontífice ao país.

O papa Bento XVI acusou os meios de comunicação e a indústria do entretenimento de prejudicarem a sociedade ao retratarem a sexualidade de forma trivial, o que, segundo o pontífice, estaria entre as causas de males sociais como a prostituição e a pedofilia.

O Papa deu essas declarações durante um pronunciamento feito diante de bispos da Tailândia, que, nas palavras dele, estavam particularmente preocupados com o tráfico de mulheres e de crianças bem como com a prostituição.

“Sem dúvida, a pobreza é um fator subjacente a esses fenômenos”, disse Bento XVI, que nasceu na Alemanha.

“Mas há um outro aspecto que precisamos reconhecer. Estou me referindo à trivialização da sexualidade nos meios de comunicação e na indústria do entretenimento, o que alimenta o declínio dos valores morais.”

Segundo o Papa, a forma como os meios de comunicação apresentavam a sexualidade também alimentava a “degradação das mulheres, a fragilização da fidelidade no casamento e até mesmo o abuso sexual de crianças.”

Fonte: Reuters