O papa Bento 16 afirmou nesta quinta-feira estar bastante preocupado com o êxodo cristão do Iraque e de outras partes do Oriente Médio decorrente da violência, da falta de segurança e da perseguição.

“Hoje, de forma trágica, os cristãos dessa região sofrem tanto material quanto espiritualmente”, disse o pontífice diante do líder da Igreja Assíria do Oriente, uma Igreja cristã independente que conta com fiéis no Iraque, no Líbano, na Síria e no Irã.

“Particularmente no Iraque, as famílias e comunidades cristãs sentem uma crescente pressão alimentada pela falta de segurança, por atos de agressão e por um sentimento de abandono”, afirmou Bento 16.

“Muitos deles não enxergam outra possibilidade que deixar o país e procurar um novo futuro no exterior. Essas dificuldades me deixam muito preocupado.”

Vários clérigos cristãos já foram mortos no Iraque. No começo deste mês, militantes islâmicos inspirados na Al Qaeda assassinaram um padre católico e três ajudantes dele na cidade iraquiana de Mosul (norte).

Um outro padre católico foi sequestrado e mantido refém por duas semanas no país. A faculdade e o seminário cristãos de Bagdá estão fechados há meses devido a ameaças e a atos de violência.

Grupos de defesa dos direitos humanos e entidades ligadas à Igreja Católica advertiram que a violência e a falta de segurança expulsavam as minorias cristãs do Iraque e de outras partes do Oriente Médio.

“Há uma pressão contínua para colocar os cristãos presentes no Oriente Médio dentro de algo parecido com guetos”, disse o padre Bernardo Cervelera, editor da agência católica de notícias AsiaNews.

“Em muitas áreas, há guerras e falta segurança. Isso alimenta o desejo das pessoas de partir dali. Em algumas regiões do Iraque, os cristãos são obrigados por fundamentalistas islâmicos a se converterem ou a abandonarem o país, deixando para trás todo o seu patrimônio”, disse Cervelera.

Em um relatório divulgado neste ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que dos 1,5 milhão de cristãos assírios que viviam no Iraque antes de 2003, metade abandonou o país e muitos dos demais se mudaram para “áreas seguras” do norte do território iraquiano.

Fonte: Reuters