As oito pessoas que foram abusadas sexualmente por religiosos em Malta, na época em que eram crianças, expressaram “satisfação” com o encontro mantido hoje com Bento 16 durante sua visita apostólica a esse país. Papa manifestou “vergonha e dor” pelo que as vítimas sofreram.

Logo após a reunião, o grupo ofereceu uma coletiva de imprensa em um convento de freiras dominicanas na cidade de Attard, ao lado de um bispo maltês que estava visivelmente emocionado.

“Estou aliviado, liberado de um grande peso”, disse Lawrence Grech, uma das vítimas, que há anos pede justiça e que a Igreja se desculpe formalmente pelos casos. “Meus amigos e eu agradecemos muito ao papa”, completou, chorando.

Bento 16 exprimiu, em uma nota divulgada pelo Vaticano, “a consternação” diante dos episódios e “a vergonha e dor por aquilo que as vítimas e suas famílias sofreram”.

Orações

Segundo o comunicado, o pontífice orou “com eles e lhes garantiu que a Igreja está fazendo e continuará fazendo tudo o que estiver ao seu alcance para investigar as acusações e entregar à Justiça os responsáveis pelos abusos”. Ele também assegurou que serão tomadas “medidas eficazes para salvaguardar os jovens no futuro”.

O encontro aconteceu esta tarde na Nunciatura Apostólica em Rabat, após o papa celebrar uma missa na Praça dos Celeiros, em Floriana.

Na última semana, o grupo — formado por oito vítimas de abusos sexuais cometidos em um orfanato católico da localidade de Santa Venera, na década de 1980 — pediu para falar em privado com Bento 16 durante sua estadia no país.

O papa, que iniciou no sábado a viagem ao arquipélago, completa hoje o segundo e último dia da visita, realizada em ocasião do 1950º aniversário do naufrágio de São Paulo. O retorno a Roma está previsto para as 20h45 locais (15h45 no horário de Brasília).

Feridas

Ontem, a caminho do país, o papa Bento 16 disse que a Igreja Católica foi “ferida pelos pecados de seus membros”, mas que “Cristo ama a instituição e a considera necessária para propagar o Evangelho”, que é a verdadeira força de purificação e cura.

As palavras do papa foram avaliadas pelos jornalistas como referência aos escândalos de padres pedófilos que sacudiram a instituição, apesar de o pontífice não ter comentado abertamente a crise.

Em Malta, segundo dados da Igreja Católica, 45 sacerdotes foram investigados por abuso de menores. Desses, 19 foram declarados “sem fundamento”, enquanto 13 seguem abertos.

Quatro sacerdotes foram submetidos a processo canônico, declarados culpados e reduzidos ao estado laical e outros dois já morreram.

Fonte: Folha Online