Bento XVI orou nesta sexta-feira em Viena diante do monumento às vítimas da Shoah, para homenageá-las em silêncio junto com representantes da pequena comunidade judaica da Áustria.

“É o momento de expressar nossa tristeza, nosso arrependimento e nossa amizade aos judeus”, havia declarado o Papa algumas horas antes a jornalistas no avião que o trazia de Roma.

A cerimônia transcorreu na Judenplatz (Praça dos Judeus), no centro de Viena, diante do simples monumento de concreto erigido para recordar o sofrimento dos judeus deportados pelos nazistas.

O grande rabino da Áustria Paul Chaim Eisenberg e outros setes representantes da comunidade judaica estavam ao lado do Papa e pronunciaram o Kaddish, a oração dos mortos na religião judaica.

Durante o período dos nazistas, 60.000 judeus austríacos morreram e 125.000 foram forçados ao exílio.

O cardeal Christoph Schnborn, arcebispo de Viena, recordou as raízes judias do cristianismo e a participação de parte de seus compatriotas nas atrocidades nazistas.

“Pedro era judeu. Os apóstolos eram judeus. Maria era judia e Jesus, seu filho e nosso Senhor, também é judeu através dela”, declarou Schnborn pouco antes durante uma cerimônia diante da “Coluna de Maria” na praça “Am Hof”.

“Uma das tragédias desta cidade é que ela esqueceu suas raízes, chegando até a negá-las e a querer destruir esse povo, o primeiro amado por Deus”, acrescentou o cardeal, referindo-se aos massacres praticados pelos nazistas.

Sobre o mesmo assunto, o presidente austríaco Heinz Fischer havia afirmado ao receber o Papa na manhã desta sexta-feira que a Áustria “deve reconhecer as horas sombrias” de sua história.

Bento XVI já havia classificado o Holocausto de “crime sem equivalente na história” durante uma visita ao campo de concentração de Auschwitz em 28 de maio de 2006.

Fonte: AFP