O Vaticano informou ontem que o Papa Bento XVI nomeou o cardeal de Gênova, na Itália, Tarcisio Bertone, de 71 anos, como seu novo Secretário de Estado. Bertone substitui o cardeal, também italiano, Angelo Sodano, de 79 anos.

Bertone esteve 15 anos à frente do cargo, o “número dois” da Santa Sé.

Segundo o comunicado do Vaticano, Bento XVI aceitou a saída de Sodano do cargo, por motivos de idade. Contudo, o Papa pediu para que continuasse à frente da Secretaria de Estado até o dia 15 de setembro de 2006.

Neste dia, Bertone será nomeado como novo “número dois” do Vaticano.

O Pontífice também nomeou o atual “chanceler” do Vaticano (secretário para as Relações com os Estados), o arcebispo Giovanni Lajolo, como novo titular do “Governatorato” (Governo) do Estado da Cidade do Vaticano.

O italiano Lajolo substitui o cardeal Edmund Casimir Szoka, de 79 anos, que pediu para sair por motivos de idade.

Bento XVI aceitou a saída de Szoka, mas, assim como Sodano, pediu para que siga como Presidente da Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano e presidente do Governatorato até 15 de setembro.

O cardeal Tarcisio Bertone tem 71 anos e durante muito tempo foi o braço direito do atual Papa, quando Joseph Ratzinger era o cardeal que presidia a Congregação para a Doutrina da Fé.

O cardeal de Gênova foi secretário dessa congregação, o ex-Santo Ofício, de 1995 a 2002.

Bertone também foi encarregado de preparar a publicação do chamado “terceiro segredo de Fátima”, no ano 2000, que se referia, segundo assinalou o Vaticano, ao atentado sofrido por João Paulo II na praça de São Pedro em maio de 1981.

Angelo Sodano era o “número dois” do Vaticano há 15 anos. Foi um dos secretários de Estado com mais tempo à frente da Secretária de Estado da Santa Sé e tem 79 anos.

Extrovertido, mas conservador

Extrovertido, torcedor de futebol e com idéias conservadoras, Bertone nasceu nas proximidades de Turim. Ordenou-se aos 25 anos, formou-se em teologia e prosseguiu seus estudos na Pontifícia Universidade Salesiana, em Roma, onde obteve o título de doutor em direito canônico e da qual, anos depois, tornou-se o reitor.

Depois de atividades teóricas ligadas ao direito canônico, João Paulo 2º o nomeou em 1995 o número dois da Congregação para a Doutrina e a Fé, então presidida pelo atual papa.

Reafirmou então sua reputação de conservador e ortodoxo, durante esse final de pontificado em que a teologia da libertação e a chamada igreja progressista já estavam neutralizadas.

O cardeal Bertone concilia seu rigor dogmático com o bom humor e o comportamento informal. Tornou-se popular em Gênova ao aceitar o convite de uma TV local para comentar os jogos do time da cidade.

Certa vez reiterou com vigor a oposição da igreja à clonagem, mas disse, em tom de brincadeira, que “se poderia abrir uma exceção para Sofia Loren”. Tornou-se, dentro da igreja, o maior inimigo do livro “O Código da Vinci”. Liderou uma campanha pelo boicote ao romance e exortou os católicos a evitarem aquele “pacote de mentiras”.

Fonte: EFE e Folha de São Paulo