O papa Bento 16 pediu a Israel nesta segunda-feira que ajude a conter o declínio na população católica do país e que também permita uma maior mobilidade dos palestinos, inclusive no deslocamento até os locais de culto, “para que eles também tenham maior paz e segurança”.

“Sei que vocês compartilham da minha preocupação com o alarmante declínio da população cristã no Oriente Médio, inclusive em Israel, por causa da emigração”, disse o pontífice.

“Rezo para que se encontrem formas de tranquilizar a comunidade cristã, para que ela possa experimentar a esperança de um futuro seguro e pacífico em suas pátrias ancestrais”, acrescentou ele numa recepção ao novo embaixador de Israel na Santa Sé, Mordechay Lewy, quinto ocupante do cargo desde o estabelecimento das relações bilaterais, em 1994.

O Vaticano apoia o direito de Israel à existência dentro de fronteiras seguras, mas também é favorável à criação de um Estado palestino independente.

O papa também disse que os palestinos têm igual direito à prosperidade e pediu a Israel que “faça todos os esforços para aliviar as dificuldades sofridas pela comunidade palestina”. “Percebo que as dificuldades experimentadas pelos cristãos na Terra Santa também estão relacionadas a continuidade das tensões entre as comunidades judaica e palestina”, afirmou.

Lewy disse que Israel tem um compromisso com a paz e se empenha em ajudar as comunidades cristãs em Israel, “já que sua presença essencial na Terra Santa está profundamente arraigada e é historicamente auto-explicativa”, disse Lewy, segundo a transcrição do discurso entregue aos jornalistas.

Tratando de questões puramente bilaterais, o papa disse esperar que Israel crie leis que resolvam pendências financeiras e tributárias da Igreja e do clero, e também que conceda vistos a padres estrangeiros.

“Só quando essas questões forem superadas a Igreja poderá realizar livremente as suas obras religiosas, morais, educacionais e benemerentes na terra onde ela nasceu”, afirmou o pontífice.

O papa tem à sua disposição convites para visitar Israel e os territórios palestinos. Seu antecessor, João Paulo 2o, fez em 2000 uma histórica visita à Terra Santa.

Fonte: Reuters