O papa Bento presidiu no domingo a uma cerimônia solene em que entregou a 23 novos cardeais os anéis de seu cargo e os exortou a trabalhar em prol da paz.

O pontífice presidiu a cerimônia na Basílica de São Pedro, um dia depois de elevar os prelados, vindos de todos os lados do mundo, ao escalão de elite na Igreja Católica Romana, que tem mais de 1,1 bilhão de fiéis.

Enquanto cada um dos cardeais se ajoelhava à sua frente, Bento colocava o anel do cardinalato em seus dedos e, falando em latim, lhes dizia que ele deve ser sempre um símbolo de seu amor pela Igreja.

Antes disso, no sermão que proferiu diante do altar central da basílica, Bento pediu aos cardeais que trabalhem e orem pela paz e a unidade.

Os novos cardeais vêm da Itália, Iraque, Irlanda, Alemanha, Estados Unidos, Espanha, Índia, Argentina, Quênia, México, Polônia, Senegal, Brasil e França.

Quando os elevou ao cardinalato, no sábado, Bento lançou um apelo pelo fim da guerra no Iraque e lamentou a difícil situação da minoria cristã nesse país.

Um dos novos cardeais é Emmanuel 3o Delly, de Bagdá, o Patriarca da Babilônia dos Caldeus. Os caldeus formam o maior grupo cristão do Iraque, e o rito caldeu é um dos mais antigos da Igreja Católica.

Dezoito dos novos cardeais têm menos de 80 anos e, pelas normas da Igreja, terão direito a participar de um conclave secreto para eleger o novo papa, após a morte de Bento. Os outros cinco, incluindo Delly, têm mais de 80 anos e receberam o título por razões simbólicas ou como agradecimento por seus longos anos de serviços prestados à Igreja.

Os cardeais são os assessores mais próximos do papa. Eles lideram dioceses importantes em todo o mundo, chefiam departamentos do Vaticano e aconselham o papa em questões que vão desde a fé até as finanças.

Os novos cardeais “eleitores” incluem o arcebispo John Patrick Foley, ex-funcionário do Vaticano, Daniel N. DiNardo, arcebispo de Galveston-Houston, e arcebispo Paul Joseph Cordes, um alemão que trabalha no Vaticano, além do arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer.

Os arcebispos Andre Vingt-Trois, de Paris, Oswald Gracias, de Bombaim, Francisco Robles Ortega, de Monterrey (México), John Njue, de Nairóbi e Sean Baptist Brady –arcebispo de Armagh e primaz de toda a Irlanda– também são eleitores.

As regras da Igreja limitam em 120 o número de “cardeais eleitores”. O número total de cardeais hoje, incluindo os que têm mais de 80 anos, chega a 201.

Fonte: Estadão