O papa Bento 16 condenou nesta terça-feira “toda forma de violência” e pediu “respeito mútuo” entre as distintas religiões, em um telegrama enviado à ordem da freira assassinada no domingo na Somália.

Irmã Leonella, uma freira italiana de 65 anos, foi morta em meio a uma onda de reações furiosas de muçulmanos de todo o mundo a uma palestra do sumo pontífice católico na Alemanha.

“Reiterando a firme condenação de todas as formas de violência, Sua Santidade espera que o sangue derramado por tão fiel discípula do Evangelho se converta na semente de esperança para construir uma autêntica fraternidade entre os povos, em respeito mútuo entre as crenças religiosas de cada um”, disse o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcísio Bertone.

Segundo ele, Bento 16 lamentou que a freira tenha sido “barbaramente assassinada”, em uma morte “trágica”.

A freira foi atingida por quatro tiros nas costas quando deixava o hospital em que trabalhava, em Mogadíscio, capital da Somália.

As autoridades investigam se a morte da freira foi motivada por declarações pesadas de um clérigo radical somaliano, o xeque Abubakar Hassan Malin, três dias antes.

Malin orientou aos fiéis de sua mesquita a caçar e matar qualquer um que ofenda o profeta Maomé, retratado de maneira negativa na citação feita pelo papa.

Ameaças

Nesta terça-feira, uma organização islãmica até então desconhecida nos territórios palestinos ameaçou com tomar represálias contra a minoria cristã da região se Bento 16 não apresentar um “perdão expresso”.

Segundo a agência France Presse, a organização, denominada “Exército Mahdi” – não se conhece relação desta com outra homônima no Iraque – disse que “todos os cruzados na Faixa de Gaza serão alvo, incluindo igrejas, instituições e suas casas”.

As ameaças mantêm o nível de tensão na região, depois que duas igrejas foram atacadas na Cisjordânia no fim de semana.

As palavras brandas do papa em sua missa de domingo não foram suficientes para convencer a comunidade muçulmana no mundo.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que as declarações do papa fazem parte de uma suposta “cruzada” contra muçulmanos.

Já o Mufti, a maior autoridade religiosa da Terra Santa, disse a jornalistas que as palavras de Bento 16 eram “uma provocação premeditada”, segundo a agência EFE.

Fonte: BBC Brasil