O papa Bento 16 pode admitir a responsabilidade e pedir desculpas pela extensão dos abusos sexuais cometidos por padres em dezenas de países, e que se transformaram em um dos maiores escândalos envolvendo a Igreja Católica.

Segundo a agência de notícias Associated Press, que cita uma fonte do Vaticano, o papa faria a declaração durante um encontro de padres de todo o mundo, previsto para junho próximo.

O encontro, entre os dias 9 e 11 de junho, foi convocado inicialmente para marcar o ano do padre no Vaticano, já se transformou em uma prova de fogo para o papa, que também foi acusado de acobertar padres pedófilos na década de 70, para proteger o nome da Igreja Católica.

Segundo o funcionário de alto escalão do Vaticano, o papa deve aproveitar o evento para emitir algum tipo de pedido de desculpas.

O cardeal William Levada, chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, disse à TV americana PBS que “não seria uma surpresa” se o papa o fizesse.

Futuro

O Vaticano afirmou nesta quarta-feira que o papa não decidirá por enquanto o futuro da congregação mexicana Legionários de Cristo, cujo fundador, o falecido padre Marcial Maciel, abusou por décadas de jovens seminaristas.

O papa só deve tomar uma decisão quando avaliar os informes apresentados na próxima sexta-feira os cinco bispos encarregados de realizar uma inspeção na entidade.

O cardeal Tarcisio Bertone, número dois do Vaticano, se reunirá na sexta-feira com os bispos que investigam a poderosa congregação mexicana. Esta será a primeira reunião que será celebrada depois da investigação determinada pelo papa, no ano passado.

Segundo o comunicado oficial, os resultados no encontro, no entanto, não serão divulgados.

O caso de Maciel, fundador da ordem em 1941 no México, acusado de múltiplos abusos sexuais de seminaristas menores de idade e de ter tido secretamente filhos, é um dos mais simbólicos da chamada “política do silêncio” aplicada por décadas pelo Vaticano para encobrir seus escândalos internos.

Fonte: Folha Online