O papa Bento XVI reiterou nesta segunda-feira, 25, “a firme e permanente condenação ética a qualquer forma de eutanásia direta” e pediu que, em caso de doenças terminais, os parentes possam contar com facilidades, também do ponto de vista trabalhista, para atender e acompanhar seu familiar.

Bento XVI recebeu em audiência os participantes de uma reunião organizada pela Pontifícia Academia para a Vida sob o tema “Junto ao doente incurável e ao moribundo: orientações éticas e operacionais”.

Em seu discurso, afirmou que “toda a sociedade e principalmente os setores ligados à ciência médica” têm que respeitar a vida “em todos os momentos de seu desenvolvimento terreno, sobretudo quando se sofre uma doença ou se está em fase terminal”.

O papa explicou que se trata de “assegurar” o apoio necessário a todos os que necessitam dele através de tratamentos e intervenções adequadas, escolhidas e administradas “segundo os critérios da proporcionalidade médica”.

Bento XVI acrescentou que é preciso ter sempre em conta o “dever moral” de fornecer, por parte do médico, e “de aceitar”, pelo paciente, os meios para preservar a vida que sejam “habituais”.

No entanto, para tratamentos “significativamente perigosos”, ou que possam ser “prudentemente” considerados “extraordinários”, sem dizer quais, o recurso aos mesmos será tido como “moralmente lícito, mas facultativo”.

O Pontífice destacou que não é apenas necessário assegurar “os cuidados necessários e devidos” aos doentes, mas também dar apoio às famílias mais afetadas pela enfermidade de um de seus membros, “principalmente se for grave e prolongada”.

Bento XVI lembrou que, “do ponto de vista da regulamentação do trabalho, os direitos específicos dos familiares habitualmente são reconhecidos como os do momento de um nascimento”.

De maneira análoga, e “especialmente em certas circunstâncias, direitos similares aos parentes próximos deveriam ser reconhecidos no momento da doença terminal” de um familiar.

Uma sociedade “solidária e humanitária” não pode ignorar “as difíceis condições das famílias que, às vezes por bastante tempo, têm que cuidar o dia inteiro de doentes graves que dependem de outras pessoas”.

A sociedade “não pode deixar de assegurar o devido apoio às famílias” que têm que cuidar em casa, por períodos às vezes prolongados, de pessoas com doenças degenerativas ou que precisam de uma ajuda constante.

O papa lembrou sua encíclica “Spe Salvi” (“É na esperança que fomos salvos”) para dizer que “a medida da humanidade é determinada essencialmente pela relação com o sofrimento e de quem sofre”.

Em uma sociedade “fortemente influída pelas dinâmicas da produtividade e pelas exigências econômicas, as pessoas frágeis e as famílias mais pobres correm o risco, em caso de problemas financeiros ou de enfermidade, de enfrentarem dificuldades”.

Fonte: EFE