O papa Bento 16 reuniu-se na quarta-feira com autoridades iranianas que participaram de um seminário no qual se condenou o uso da religião para justificar a violência.

Oito autoridades do Centro para o Diálogo Inter-Religioso da Organização das Relações e Cultura Islâmicas, um órgão iraniano, reuniram-se com o papa depois de comparecerem à audiência geral daquele dia.

Essas autoridades participaram, junto com representantes da Igreja Católica, do seminário “Fé e a Razão na Cristandade e no Islã”, que concluiu que tanto a razão quanto a fé são basicamente pacíficas.

“Nem a razão e nem a fé deveriam ser usadas em nome da violência. Infelizmente, ambas têm sido desviadas algumas vezes a fim de praticar a violência”, disse um comunicado conjunto.

Os dois lados manifestaram o desejo de cooperar, de promover a espiritualidade e de encorajar o respeito aos símbolos religiosos e sagrados.

“Os cristãos e os muçulmanos deveriam ir além da tolerância, aceitando as diferenças sem deixar de ter ciência de seus pontos em comum e agradecendo a Deus por isso”, afirmou o texto.

Recentemente Osama bin Laden, líder da Al Qaeda, acusou o papa de ter alguma participação na publicação de charges vindas da Dinamarca que retratavam como um terrorista o profeta Maomé. O Vaticano diz que o pontífice condenou as charges prontamente.

As relações entre os cristãos e os muçulmanos sofreram um abalo em 2006, quando Bento 16 deu uma palestra em Regensburg (Alemanha) na qual, segundo os muçulmanos, acusou o Islã de ser uma religião violenta e irracional.

Em todo o mundo, muçulmanos foram às ruas protestar contra o papa, que disse não concordar com as palavras do imperador bizantino que havia citado. Bento 16 tentou curar as feridas orando em uma mesquita de Istambul.

O Vaticano, que em 2006 criticou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, por defender a eliminação de Israel, disse que o próximo encontro inter-religioso entre autoridades da Igreja Católica e da comunidade islâmica do Irã ocorreria em Teerã, dentro dos próximos dois anos.

Em novembro, líderes muçulmanos do mundo todo devem encontrar-se com líderes católicos, no Vaticano.

Fonte: Reuters