A Prefeitura de São Gabriel, município a 321 km de Porto Alegre, decretou situação de emergência na cidade, determinou a suspensão das aulas para 13 mil estudantes e proibiu aglomerações públicas, como festas e cultos religiosos, para conter a disseminação do vírus da gripe suína –como é chamada a gripe A (H1N1).

A medida foi tomada na segunda e passou a valer ontem, no mesmo dia em que foi confirmado que uma adolescente de 14 anos contraiu a doença após uma viagem a Buenos Aires. Ela está internada na UTI, em estado grave, no município vizinho de Santa Maria.

Quatro pessoas que passaram por exames laboratoriais que confirmaram a infecção pela gripe estão em isolamento domiciliar, incluindo a filha do prefeito, de 14 anos. Há mais 18 casos suspeitos.

“Ao tomar essas medidas de emergência, não agi como pai, mas como homem público. Não é caso de pânico, mas não se pode tratar com negligência”, disse o prefeito Rossano Gonçalves (PDT) ontem à noite.

O ministro da Saúde, José Temporão, afirmou que a medida foi tomada sem o conhecimento do ministério e que espera que seja revogada. “Foi uma decisão pessoal do prefeito, contra a orientação do governo do Estado. A avaliação que temos é que não há motivo para pânico”, disse o ministro.

O prefeito criticou o “blablablá” das autoridades federais. “Precisavam agir com mais eficiência, a fiscalização é frouxa em fronteiras e aeroportos”, afirmou Gonçalves.

Para o secretário de Estado da Saúde, Osmar Terra, o decreto é um “excesso de zelo” provocado por pressão de moradores sobre a prefeitura.

“Achamos que não seria necessária [a situação de emergência] por causa do comportamento do vírus. Ele está se comportando de forma mais benigna do que a gripe comum”, disse o secretário.

Ontem, quando começou a vigorar o decreto, nem todos cumpriram à risca a proibição de aglomerações. À noite, na Igreja Matriz, a principal da cidade, uma missa reunia cerca de cem pessoas. “Hoje [ontem] temos quatro celebrações de sétimo dia e amanhã [hoje] vamos analisar [o cumprimento do decreto]. O que não pode é deixar o povo na mão”, declarou o padre Edegar Barbosa.

A igreja só tomou a precaução de deixar todas as portas e janelas abertas, a despeito do gelado vento do pampa gaúcho, que dava a sensação de um frio bem mais intenso do que os 9ºC marcados no termômetro.

Havia gente circulando nas ruas, mas, na prefeitura e em supermercados, funcionários trabalhavam com máscaras.

Apesar de sua eficácia duvidosa, as máscaras levaram a uma corrida às farmácias na cidade de 57 mil habitantes.

Em uma delas, um lote de 2.000 unidades esgotou-se em 70 minutos. “Mais 5.000 devem chegar amanhã [hoje], e uma parte já está reservada”, disse o gerente de farmácia Marcelo Moraes.

O governo do Rio Grande do Sul confirmou ontem que um caminhoneiro de 29 anos internado em Passo Fundo está com gripe suína. Ele permanecia ontem na UTI, em estado grave, mas consciente. Segundo o hospital, o caminhoneiro havia voltado de uma viagem para Buenos Aires.

Fonte: Folha Online