Religiosos afirmam estar equivocadas as interpretações segundo as quais pessoas separadas estariam condenadas. Segundo eles, vale o princípio do perdão ao pecador; João Paulo 2º já utilizara a palavra praga em referência ao divórcio. Qual deve ser a posição da Igreja Evangélica? [url=http://www.folhagospel.com/site/html/modules/xoopspoll/]Clique aqui[/url] e dê sua opinião.

Na semana passada, Bento 16 definiu o segundo casamento como uma praga no documento Sacramentum Caritas (Sacramento do Amor). Seu antecessor, João Paulo 2º, utilizou a mesma palavra para se referir ao divórcio, em 1981.

Apesar da força do termo, bispos católicos afirmam que as interpretações sobre as palavras do atual papa foram equivocadas e incompletas.

Equivocadas porque teriam dado a entender que as pessoas separadas estão condenadas. Os religiosos dizem que vale o princípio do perdão ao pecador e condenação ao pecado.

Segundo eles, o papa, ao afirmar que o segundo casamento é uma “praga contemporânea”, ataca o erro. Na seqüência, ao afirmar que padres e bispos “são obrigados a discernir bem as diferentes situações, para ajudar espiritualmente e de modo adequado os fiéis implicados”, acolhe quem errou.

“A igreja não é moralista”, afirma d. João Carlos Petrini, bispo-auxiliar de Salvador e diretor no Brasil do Instituto João Paulo 2º para Estudos do Matrimônio e da Família, com sede em Roma. “A razão é muito importante dentro da igreja. Queremos preservar o ideal do matrimônio. A indissolubilidade do casamento depende da grande consideração que o amor humano entre um homem e uma mulher tem na igreja, como realização do desígnio de Deus, espaço de plenitude de comunhão e de realização humana, aberto à procriação e à educação dos filhos. A separação deve ser a última saída. Este princípio não se transige. Porém, no fato concreto há misericórdia”, diz d. Petrini.

O segundo erro, segundo os bispos, é que a análise sobre o documento de Bento só teria levado em consideração a vida interna da igreja, não a crítica que ele faz à sociedade.

Dom Gil Antônio Moreira, bispo de Jundiaí (60 km de SP) e mestre em história eclesiástica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, afirma que “praga não é o casal propriamente”. Segundo ele, “quando o papa diz que há uma praga social é no sentido de que a sociedade tem princípios efêmeros. As coisas acabam e não têm caráter definitivo”.

Em Jundiaí, assim como em outras dioceses do Brasil, há a pastoral para os casais em segunda união. O objetivo é orientar os católicos que se separaram e não pediram a declaração de nulidade do casamento à igreja. À exceção da comunhão, eles podem freqüentar as missas e até mesmo assumir funções na comunidade, como a catequese, cujo objetivo é ensinar os princípios da religião.

“Todos os batizados fazem parte da igreja”, afirma d. Joaquim Carreira, bispo-auxiliar da Arquidiocese de SP. “Tanto os sacerdotes como toda a comunidade cristã devem dar provas de amor e solicitude para com todos os batizados, para que ninguém se considere excluído e separado da igreja, apesar de sua situação conjugal estar em desacordo com o projeto de Deus sobre o matrimônio e a família.”

Fonte: Folha de São Paulo