Em entrevista exclusiva ao canal francês France24 – TV do grupo de comunicação da RFI – a presidente Dilma Rousseff disse que o Estado não deve entrar na questão do aborto.

Questionada se o país precisaria rever a lei que criminaliza a prática, a presidente disse que “o Brasil ainda vai ter um processo longo para evoluir nesta área”.

Dilma recebeu em Brasília o repórter francês Marc Perelman para uma conversa de cerca de 40 minutos sobre os mais diversos assuntos ([url=http://www.portugues.rfi.fr/brasil/20150608-dilma-sobre-petrobras-lutarei-ate-o-fim-para-demonstrar-que-nao-estou-ligada]leia a íntegra aqui[/url]). O jornalista lembrou que Dilma já havia se pronunciado, antes de ser presidente, favorável à descriminalização do aborto. A presidente preferiu, no entanto, defender a atual legislação.

“Hoje, no Brasil, a lei permite em alguns casos importantíssimos. Quando há má-formação ou quando há violência contra a mulher.” Dilma diz, no entanto, não estar certa de que a população queira uma mudança. “Se você fizer hoje uma enquete, é possível que nem todas as mulheres defendam isso. Eu acho que é uma questão na qual o Estado não tem de entrar agora. Nós temos de guardar o que pensamos para nós, não temos que entrar nessa área.”

Perguntada pelo repórter que resposta daria como mulher, não como presidente, Dilma respondeu: “Eu, enquanto mulher, sou presidente. É isso que é ser presidente.”

[b]Mulheres no poder
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Dilma disse ver com bons olhos o fato de mulheres estarem em posições de liderança no Brasil e na Alemanha, e poderem chegar ao poder nos Estados Unidos com a candidatura de Hillary Clinton.

“Não vou fazer essa disputa, quem é que governa melhor (homem ou mulher)”, disse Dilma, rindo. “Mas é muito importante que mulheres do teor de Angel Merkel e, no caso dos EUA, uma mulher com a competência da Hillary Clinton, também ela vai necessariamente melhorar a forma pela qual as mulheres se veem.”

[b]Fonte: RFI[/b]