Um estudo realizado pela ONG World Public Opinion em parceria com a Universidade de Maryland, com cerca de 4,5 mil moradores no Marrocos, Egito, Paquistão e na Indonésia entre dezembro de 2006 e fevereiro de 2007 revela que a maioria dos entrevistados concorda com muitos dos objetivos da Al-Qaeda e apóia ataques contra soldados americanos.

Para 64% dos entrevistados, os EUA querem disseminar o cristianismo na região com suas tropas, o que deve ser combatido com a expansão do islã.

“A maioria dos entrevistados têm sentimentos mistos sobre a Al-Qaeda. Boa parte concorda com muitos de seus objetivos, mas acredita que ataques terroristas contra civis vão contra o islã”, afirmou a ONG.

Uma média de 70% nos quatro países apóia metas como “enfrentar os americanos e afirmar a dignidade do povo islâmico” e “pressionar os Estados Unidos a não favorecer Israel”.

“Enquanto líderes americanos retratam o conflito como uma guerra contra o terrorismo, o mundo islâmico nitidamente vê os EUA como estando em guerra com o islã”, afirmou o editor da ONG, Steven Kull.

Cerca de 79% das pessoas dizem acreditar que o país quer “enfraquecer e dividir o mundo islâmico” e “controlar os recursos de petróleo do Oriente Médio”.

Por isso, 74% dos entrevistados afirmaram apoiar a retirada das bases e forças militares americanas de todos os países islâmicos.

Mais do que isso, quase metade das pessoas que participou do estudo é favorável a ataques a soldados americanos no Iraque, Afeganistão e no Golfo Pérsico.

Cristianismo

Uma média de 64% dos entrevistados também acredita que os Estados Unidos querem “disseminar o cristianismo na região” com suas tropas, por isso, muitos querem expandir o papel do islã em suas sociedades.

Três em cada quatro pessoas concordam que “países islâmicos têm de impor uma aplicação rigorosa da sharia (lei islâmica)” e que “valores ocidentais têm de ser excluídos de países islâmicos”.

No entanto, isto não quer dizer que a população islâmica queira se isolar do Ocidente, já que em média 75% disseram que “o fato de o mundo ficar mais ligado por meio de mais relações econômicas e comunicação mais veloz ” é bom.

Além disso, cerca de dois terços dos entrevistados concordam que “um sistema político democrático” é uma boa forma de governar seu país e 82% acham que as pessoas de qualquer religião deveriam ser livres para cultuar seguindo suas próprias crenças.

Sobre os ataques de 11 de setembro de 2001, há uma grande incerteza se a autoria dos ataques foi realmente a Al-Qaeda. Menos de 25% dos entrevistados acreditam que a organização de Osama Bin Laden tenha sido responsável. No Paquistão, apenas 3% a culpam.

Fonte: Portas Abertas