O diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, José Funes, jesuíta argentino que organizou uma conferência internacional sobre a formação e a evolução das galáxias em forma de disco, afirmou que a ciência serve para motivar os homens a fazer perguntas que, “além das questões científicas”, permitem “perceber a existência de Deus”.

A possibilidade de buscar Deus na astronomia é real para Funes, já que, como se ensina no seminário, é possível “buscar e encontrar Deus em todas as coisas”, inclusive na ciência.

O diretor do observatório ressaltou que a Igreja “não tem medo da ciência”, admitindo que, “às vezes, se mostrar receosa com o que pode ser descoberto”.

Mas, para Funes, o receio “não tem nenhum fundamento” já que os participantes do congresso “são homens de ciência, alguns cristãos, outros não; uns católicos e outros não”. Disse também que “não há nenhum tipo de agenda ou mensagem que se queira impor” por parte da Igreja.

O jesuíta considerou que “não há contradição entre ciência e fé” e lembrou que “em muitas questões da ciência, sacerdotes ou homens da Igreja forneceram os primeiros estudos”.

Funes destacou que um grande avanço recente da ciência foi a observação das galáxias com telescópio espacial, o que permitiu constatar que “elas estão mais extensas” do que se pensava antes.

Por outro lado, o cientista argentino Julián Navarro, um dos participantes da conferência, explicou que essas galáxias “têm estrelas que se movimentam em um plano definido e em órbitas quase circulares”, o que dá “uma pista sobre como se formaram”.

Uma delas “pode ter sido o colapso de uma grande nuvem de gás que, perdendo energia, vai em direção ao centro, porém mantendo seu sentido de rotação e girando mais rapidamente, até terminar movimentando-se em órbitas circulares”.

Navarro explicou como o Vaticano “incentiva o progresso dos cientistas” e acrescentou que a Igreja tentará entender os novos avanços científicos “dentro de um panorama maior, que tem a ver com a religião”.

O cientista destacou ainda que a postura da Igreja Católica é a “de seguir o método científico, tendo inclusive como base os cânones acadêmicos internacionais”.

Diretor do observatório desde agosto de 2006 e membro do departamento de Astronomia da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, Navarro argumentou que a astronomia e a estrutura da Igreja “não estão em conflito” atualmente.

Ele considerou que, se a motivação para fazer ciência “é entrar em contato íntimo com o sobrenatural, trata-se de uma desculpa tão boa quanto qualquer outra”.

O conflito surge apenas “quando alguém tenta fazer com que essa presença (espiritual) dite condutas sobre a forma de fazer ciência, as perguntas que vão ser feitas e as respostas”.

Fonte: Último Segundo