A Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo (Acrimesp) anunciou neste fim de semana que foi procurada por 40 famílias de vítimas do desabamento da sede da Igreja Renascer em Cristo, ocorrido há uma semana. Elas estariam interessadas em processar judicialmente a denominação por danos morais e materiais.

A tragédia, ocorrida perto das 19h do domingo passado, deixou nove mortos e 108 feridos. O grupo deve formar a Associação de Vítimas da Renascer, entidade que os representaria legalmente.

Segundo o presidente da Acrimesp, Ademar Gomes, é preciso definir se a ação será coletiva – ou seja, movida por vários autores simultaneamente – ou individual. O advogado diz que não será preciso esperar a conclusão do inquérito policial para ingressar com a ação. “Já está claro que a igreja é responsável pelo ocorrido”, afirma Gomes.

Segundo o especialista, a empresa Etersul, responsável pela reforma do teto do templo da Rua Lins de Vasconcelos, no bairro Cambuci, região central de São Paulo, também deverá ser responsabilizada. “A responsabilidade é objetiva. Os fiéis morreram dentro da igreja e a Renascer deveria ter tomado providências para deixar o local seguro”, concorda o advogado Clovis Montani Mola. Ele representa o professor Juris Megnis Júnior, cuja mãe, Maria Amélia de Almeida, e a avó, Acir Alves da Silva, de 79 anos, morreram no desmoronamento.

Segundo Montani, a Renascer não arcou com todas as despesas do funeral, conforme prometera. “Eles pagaram os caixões, mas o custo do sepultamento, de cerca de R$ 700, foi bancado pela família”, diz o advogado. Os familiares das aposentadas Silvia Gomes Moreira, 50 anos, e Maria de Lourdes, 76, que também perderam a vida na tragédia, afirmaram que também vão processar a igreja. “Nada vai trazer as vítimas de volta, mas um desastre como esse não pode voltar a acontecer. Se foi negligência da igreja, a gente não pode deixar barato”, conclama a funcionária pública Vera Lúcia da Silva, filha de Maria de Lourdes.

Segundo a Polícia Civil, 20 feridos no desabamento entraram com representação contra a Renascer por causa dos danos sofridos no acidente. “Eles sofreram crime de lesão corporal e devem entrar com representação para dar prosseguimento ao inquérito perante o Ministério Público”, explica o delegado Dejar Gomes, da 1ª Delegacia Seccional.

Fonte: G1