No mesmo dia em que criticaram, numa resolução mais abrangente, a perseguição de que são alvos os cristãos na Índia, vários deputados europeus boicotaram o discurso do principal bispo da Igreja Ortodoxa.

A resolução diz respeito à cimeira Euro-Indiana que vai decorrer em Marselha no dia 29 de Setembro, a aborda uma série de assuntos relativos ao país asiático e às suas relações com a Europa.

Os deputados europeus incluíram um parágrafo em que manifestam “grave preocupação” pelos ataques que se têm verificado contra cristãos. A resolução pede ainda compensações financeiras para as comunidades que viram as suas igrejas destruídas e para as famílias que perderam as suas casas, exige a punição dos responsáveis e pede ao Governo central um maior esforço para proteger a minoria cristã.

Entretanto, durante a madrugada de hoje, mais casas de cristãos foram queimadas em Kandhamal, no Estado de Orissa.

No mesmo dia em que esta resolução foi aprovada, por esmagadora maioria, estava agendada a presença no plenário de Bartolomeu I, Patriarca de Constantinopla e primus inter pares da comunhão ortodoxa, a segunda maior Igreja cristã do mundo.

Bartolomeu I falou da oportunidade apresentada pelo “ano europeu do diálogo intercultural”, nomeadamente no que diz respeito às relações entre a Europa e a Turquia, e ainda do papel que a religião pode ter nesse diálogo, mas fê-lo a uma sala que esteve longe de cheia, devido a um boicote por parte de muitos dos deputados “verdes”, liberais ou socialistas.

O boicote foi incentivado por uma deputada belga, Veronique de Keyser, que emitiu um comunicado a “soar o alarme pela democracia e a separação da Igreja e do Estado”.

Keyser alertou para a “ameaça” das religiões que estarão a aproveitar o ano do diálogo intercultural para “lançar uma ofensiva”. Lembrando a “ousadia” de Bartolomeu I e do Papa Bento XVI por terem sugerido que os valores morais da Europa são cristãos, a deputada ao Parlamento Europeu avisou que é preciso ter cuidado para a extrema-direita não aproveitar uma brecha no muro que separa a política e a religião.

Fonte: Renascença