A Igreja Ortodoxa Russa considerou “uma farsa” a criação de um templo ortodoxo para as minorias sexuais em Moscovo e apelou ao “arrependimento” dos homossexuais.

“Pessoas que romperam com a Ortodoxia, que se afastaram da Igreja de Cristo, embora vistam batinas, enveredaram pela via da justificação do pecado e, por muito que tentem enganar, a sua iniciativa não tem nada a ver com o Evangelho e o Novo Testamento, porque a resistência consciente a uma verdade evidente é um pecado contra o Espírito Santo”, declarou à agência noticiosa Interfax o sacerdote Mikhail Prokopenko, dirigente do centro de imprensa do Patriarcado de Moscovo da Igreja Ortodoxa Russa.

O padre Mikhail Prokopenko comentou assim a abertura, no sábado passado, de um templo para as minorias sexuais em Moscovo pela Igreja Ortodoxa Apostólica Reformadora.

”Um gay veio ter comigo. Veio pedir-me um conselho e contar a sua história. Que devia fazer eu?(…) Conversamos. Depois apareceram mais. É uma raridade quando um sacerdote ortodoxo ouve pessoas de orientação sexual não tradicional, mas toda a pessoa tem direito à vida espiritual”, justificou-se o arcebispo Alexis, criador da Igreja Reformadora.

Antigo sacerdote da Igreja Ortodoxa Russa, o arcebispo Alexis criou a Igreja Reformadora por considerar que a ortodoxia necessita de ser modernizada. Por enquanto, a liturgia é celebrada num apartamento da capital russa, mas os “reformadores” dizem contar com o apoio de outras correntes cristãs para alargar as suas atividades.

”Isso é uma farsa do princípio ao fim”, considerou o padre Prokopenko, acusando o arcebispo Alexis de “cometer uma ilegalidade atrás de outra impulsionado pela lógica falsa do escândalo”.

”A Igreja está aberta para todos, independentemente do pecado cometido: para homossexuais, ladrões, assassinos e até heréticos”, acrescentou o sacerdote ortodoxo, mas sublinhou que “deve haver arrependimento e a decisão firme de abandonar o pecado”.

O arcebispo Alexis acusou o clero da Igreja Ortodoxa de hipocrisia.

”Penso que cada um que estudou num seminário teve a ver com gays. Havia-os entre os professores, entre os mais altos hierarcas. Ficava sinceramente espantado com eles. É tão difícil mentir constantemente a si próprio e a Deus”, frisou o sacerdote dissidente.

Alexis teve a idéia de criar uma igreja para “hippyes, punks, anarquistas, gays e lésbicas”durante a última tentativa de realização de uma parada gay em Moscovo.

Os manifestantes foram alvo de agressões por parte de crentes ortodoxos e, um deles, pediu ajuda a um sacerdote que assistia aos confrontos.

”O sacerdote deu-lhe um murro na cara”, lembrou o arcebispo renovador, que sublinhou ter mulher e filhos e seguir a “orientação sexual tradicional”.

Fonte: Lusa