Depois de obter resultados eleitorais positivos nas eleições gerais de abril e nas municipais, realizadas em novembro, em Peru, o partido evangélico Restauração Nacional (RN) apresenta divisões internas e confrontos entre as facções existentes.

No dia 26 de fevereiro, o procurador jurídico do partido, Gino Romero, junto com o secretário geral, Marcos Morón, anunciaram que o líder da agremiação política, o pastor Humberto Lay Sun, tinha sido expulso do partido. No dia 11 do mesmo mês, acusaram-no de não entregar os relatórios econômicos correspondente aos gastos das campanhas eleitorais do 2006, e anunciaram que entrariam com ações legais contra o ex- candidato presidencial.

Ontem, Lay desmentiu a informação, indicando que Morón e Romero tinham sido afastados, e que a ata de expulsão foi enviada ao Júri Nacional de Eleições (JNE), organismo que daria trâmite ao documento no próximo dia 5 de março, data em que reinicia seus trabalhos. Sustentou que aqueles que o tinham “expulsado” já não pertenciam à RN.

O partido foi fundado em 2000 pelo arquiteto Humberto Lay Sun, que também é pastor da Igreja Bíblica Emmanuel, uma das maiores do Peru, e de cunho neopentecostal carismático. Ele congrega evangélicos dessa tendência, que tinham a pretensão de vencer as eleições presidenciais de 2006, com a idéia de que com um evangélico na presidência a situação do país mudaria.

Depois de um processo de coleta de assinaturas, interrompido pela participação de Lay em 2002 e 2003 na Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR), grupo de trabalho que pesquisou os acontecimentos ocorridos durante a época de violência política e terrorismo no país nas décadas de 80 e 90, o partido conseguiu ser admitido pelo JNE no final de 2005.

Nas eleições gerais de abril de 2006, Lay ficou em sexto lugar de um total de 20 candidatos, com pouco mais do 4% dos votos. Ele foi apontado pela imprensa como “a revelação” das eleições, vencidas pelo presidente Alan García.

Animado pelo bom resultado nas urnas, fato que possibilitou à RN ganhar duas cadeiras no Congresso, Lay disputou a prefeitura de Lima, em novembro. Para ampliar a base do partido, incluiu entre os candidatos pessoas não-evangélicas. Essa atitude foi criticada por alguns setores mais conservadores. Lay chegou a ser acusado de incluir personagens vinculados ao regime do ex-presidente Alberto Fujimori, altamente questionado no país.

Nas eleições de novembro, Lay não conseguiu dobrar o enorme peso da candidatura do atual prefeito, Luis Castañeda Lossio, que foi reeleito com 49% dos votos válidos. O pastor-arquiteto ficou em segundo lugar, totalizando 14% dos votos. O partido ganhou, porém, algumas prefeituras estaduais e distritais em todo o país.

Apesar do relativo sucesso na política e de ter constituído uma presença “evangélica”, RN vem se autodestruindo por causa dos conflitos internos. Depois de pouco mais de um ano de fulgurante aparição na política peruana, a presença da RN como a primeira experiência de um partido confessional se desvanece.

Fonte: ALC