O excesso de confiança derrubou o Brasil. A avaliação é de alguém que viveu diariamente os bastidores da campanha brasileira na Copa do Mundo da Alemanha.

Convidado pelos Atletas de Cristo da equipe para exercer a função de “treinador espiritual”, o pastor Anselmo José Richardt Alves, da 1.ª Igreja Batista de Curitiba, acompanhou todos os passos da equipe de Carlos Alberto Parreira no Mundial. E, após a decepção, não vê outra explicação para o insucesso dos favoritos ao título.

Mas que fique bem claro, não se tratou de salto alto, tido pela torcida como o maior pecado de uma seleção recheada de atletas consagrados e milionários. “Eu sentia que todos sabiam das dificuldades. Além do mais, eles (os jogadores do Brasil) eram os campeões mundiais, da Copa América, da Copa das Confederações e das Eliminatórias. A confiança foi natural”, explicou pastor Anselmo, 47 anos, que viajou e assistiu a todos os jogos bancado pela Associação Missionária de Capelania e Discipulado a Esportistas (Amcades), mantida pelo zagueiro Lúcio. O mesmo trabalho Anselmo já havia realizado na Copa do Japão e da Coréia do Sul, em 2002.

Para o religioso, o problema que ocasionou a desclassificação nas quartas-de-final contra a França é típico do jogador brasileiro. “Eles imaginam que podem resolver a qualquer momento, que quando a partida ficasse apertada dariam um jeito. Mas não foi o que aconteceu, e nem sempre isso é possível”, disse pastor Anselmo, que descartou uma possível falta de união no grupo, supostamente dividido entre os festeiros e os evangélicos.

Perguntado se foi o caso específico dos dois Ronaldos – ambos não participavam das reuniões, que contavam com Lúcio, Kaká, Gilberto, Cicinho, Luisão, Cris, Gilberto, Zé Roberto e até o preparador físico Moraci Sant’Anna – o missionário paranaense não confirmou. “Não creio que o Ronaldo e o Ronaldinho Gaúcho tenham sido os maiores exemplos. Aconteceu na seleção como um todo”.

Outro ponto que despertou polêmica foi a reação dos atletas após o apito final do árbitro espanhol Luiz Medina Cantalejo, que decretou o fim do sonho de bordar a sexta estrela na camisa amarela. Enquanto Cafu, Roberto Carlos, Ronaldo, Robinho e Ronaldinho Gaúcho pareciam indiferentes, Lúcio, Zé Roberto e Gilberto Silva quase desabaram no gramado.

Curiosamente, exceto pelo volante do Arsenal, dois assíduos freqüentadores dos encontros espirituais. “Eu creio que eles sentiram mais pelo fato de não terem apenas o compromisso com o treinador. Eles queriam agradar não só ao Parreira, mas ao treinador dos treinadores: Jesus”, apontou o pastor.

Fonte: Gazeta do Povo