O pastor Inereu Vieira Lopes (foto), presidente da Tabernáculo Vitória, apontado por familiares de membros da seita de exigir dos fiéis que vendam todos os bens e os entreguem para a administração do templo dissse que, se for preso por essas acusações, terá, como advogado, Jesus Cristo.

O pastor confirmou em uma pregação realizada no dia 30 de abril deste ano, que recebeu dinheiro de seguidores da Tabernáculo, mas que ainda não havia gastado os recursos.

Temendo ser preso algum dia por causa dos métodos empregados por ele para convencer os seguidores a doarem recursos financeiros à igreja, o pastor salienta que, neste caso, terá como advogado Jesus Cristo. De acordo com o pastor, todo dinheiro que estava sendo gasto era dele, se referindo ao dízimo.

Uma das pessoas citadas por Inereu Vieira Lopes, como o fiel que tinha entregado dinheiro para ele, é Daniel Fantini, que vendeu uma casa, um carro e um ponto de táxi, totalizando uma quantia de R$ 220 mil e entregou tudo para a igreja, segundo o pai de Daniel, o taxista João Fantini.

Em uma parte do culto o pastor, rindo, diz aos fiéis que eles ainda têm tempo de desistir da seita. Nesse momento Inereu cita novamente o nome de Daniel Fantini e de outro membro da igreja.

“A minha preocupação é com vocês. Tenho colocado vocês num lugar terrível, muito difícil mesmo. Me aconselharam que eu desistisse, voltasse atrás, porque está mais fácil devolver a parte do João Hubener e do Daniel Fantini pois não gastamos ainda. Estou gastando o meu, o que Deus tem me dado através de vocês, por meio dos dízimos. Mas ainda há tempo. O João e Daniel têm tempo de dizerem: vamos parar com isso. Os outros também podem arrancar as placas, vão aliviar os seus corações e os corações daqueles que ainda não colocaram a placa. Me aconselharam a dizer que é melhor parar com isso. (Rindo) Eu então digo: é melhor vocês pararem com isso. Você tem que ter muita certeza do que está acontecendo. Você não tem que brigar com família por causa disso. Se você for realmente chamado por Deus, largue tudo para trás”, relata o pastor.

A revolta de famílias que viram os parentes entregarem os bens para a igreja é citada pelo pastor durante o culto. Inereu Vieira salienta que os fiéis vão decidir vender os bens respeitando a vontade do Espírito Santo de Deus. E se vierem a vender, o pastor conta que podem ocorrer perseguições, nervosismo das famílias, ações judiciais contra ele e até prisões. O pastor cita até mesmo que se for preso, o advogado dele será Jesus Cristo. Os advogados incrédulos não saberão falar a verdade.

“Eu sei que há preocupações com essas coisas, pois nós falamos muitas vezes por enigmas ou entre linhas e ao mesmo tempo que falamos que não faça, logo jogamos a palavra que faça. Vocês não sabem o que fazer. Mas eu tenho lhes dito clara e abertamente conforme está escrito: se Deus mover seu coração, se for algo movido pelo Espírito Santo em você, nada te impedirá de fazê-lo. Seja por não ou por vender. Até me aconselham que eu pare com isso porque vai trazer perseguição. Haverá maridos, pais e filhos nervosos. Penso que haverá ações judiciais envolvendo meu nome e o nome do Tabernáculo. Haverá até mesmo prisões. Mas a coisa não sucederá assim sem que prove uma falcatrua, um roubo ou uma mentira da minha parte. Eles procurarão saber a origem de bens, de dinheiro para construção dessas coisas. Até mesmo proibições para que eu pare de pregar essas coisa, mas eu estou disposto a continuar pregando”, diz o pastor.

No mesmo culto, Inereu Vieira Lopes afirma que haverá um traidor dentro da Tabernáculo que o denunciará. Ele diz que no dia em que chegar a hora de todos irem, ele irá dizer para o traidor fazer o que ele quer logo.

“Um de vocês vai me trair. Eu, Inereu, que estou falando hoje: trinta de abril de 2007. Não convidei todos vocês para serem meus discípulos? Não tenho vocês congregados em meu ministério e dito que eu sou o pastor de vocês? É verdade ou não é? Mas um de vocês é demônio e um de vocês vai me trair. Na hora certa eu vou te dar o pão molhado para comer. Na hora certa eu vou chegar perto de você, dar um sorriso e dizer: faça o que você tem que fazer logo pois nossa hora chegou”, disse Inereu.

O presidente da Tabernáculo Vitória diz aos fiéis que eles já estão sendo preparados pra receber a fé de rapto, que significa o dia em que todos morrerão e serão salvos, o arrebatamento para o paraíso. E que, só serão levados aqueles que acreditam na palavra dele.

“Os sete trovões não são falados, são vividos. Eu acredito que estamos vivendo os sete trovões. Quando a primeira parte dele é nos preparar para receber a fé de rapto. Isso já está acontecendo conosco. Já estamos sendo ensinados para isso. Eu sei que uma mensagem ungida de Deus tem que causar um impacto de rejeição ou aceitação. Ela desce no coração de uns e de outros não. Uns aceitam e outros rejeitam. Assim vai acontecer com marido e mulher, pais e filhos e eu não estou surpreso disso. Haverá aqueles que estarão juntos aqui na igreja dizendo crer do mesmo modo. E quando forem para suas casas, à noite, um será tomado e o outro será deixado. Porque um realmente acreditou e o outro não”, destacou o pastor.

Na última sexta-feira (21), o Ministério Público Estadual fez uma visita ao Tabernáculo Vitória, para saber as condições nas quais as pessoas estão vivendo no local. A promotora Maria Zumira Teixeira viu as filmagens desse culto e questionou o pastor sobre a pregação dele. Segundo Maria Zumira, ele confirmou tudo que disse aos fiéis no dia 30/04/2007.

“Um dos diálogos que nós travamos ali foi exatamente sobre o transcorrer do culto. Como ele faz isso. Todas as palavras que eu falei ele confirmou. Ele falava que ali dentro poderia haver um traidor, e ele confirmou isso. Ele disse que alguém poderia denunciá-lo sobre tudo que se passava lá dentro, a possibilidade de ocorrer prisões ou proibições de culto. Ele confirmou tudo, ele disse que não nega nenhuma linha daquilo que prega e do que acredita”, afirma a promotora.

O Ministério Público quer que o pastor Inereu Vieira Lopes quebre o sigilo bancário. Segundo a promotora Maria Zumira Teixeira, Inereu Lopes pediu um tempo para pensar na proposta de abrir o sigilo bancário, embora, de imediato, tenha dito que não haveria problema.

Fonte: Gazeta Online