A polícia libertou anteontem à noite o filho de um diretor do Bradesco que havia sido seqüestrado na manhã do último dia 9 em Osasco (Grande SP) e passado parte do tempo de cativeiro preso dentro do porta-malas de um Honda Civic.

Segundo a polícia, o mentor do crime foi um pedreiro que havia trabalhado na casa da vítima há um ano e, depois disso, passou a freqüentar a mesma igreja evangélica que a família.

O universitário, de 18 anos, foi abordado pelos seqüestradores por volta das 8h ao dirigir até a igreja evangélica, em Osasco. Seu pai, diretor regional do banco, é pastor da igreja.

Ao ser libertado, ele estava debilitado por ter viajado pelo menos 300 km no porta-malas e em razão de agressões, mas não ficou com seqüelas. Nos hotéis, dormia sob a cama.

A pedido do Bradesco e por questão de segurança, a Folha não divulga o nome da vítima e de seus familiares.

O universitário foi colocado no porta-malas pelos criminosos, que, sem local para o cativeiro, ficaram em pelo menos oito hotéis e motéis na rodovia Castello Branco (SP-280).

O estudante correu “alto risco de vida”, na avaliação do delegado Wagner Giudice, titular da DAS (Delegacia Anti-Seqüestro), em razão da inexperiência dos seqüestradores.

Além disso, um dos acusados presos em flagrante, o pedreiro Davi Souza, 27, havia trabalhado na reforma da casa da família, o que, para o delegado, poderia ter levado os criminosos a matarem a vítima para que ele não fosse reconhecido.

A polícia diz que o grupo não usou armas durante o crime. “Na abordagem, simularam que estavam com uma arma sob a jaqueta”, disse Giudice.

O primeiro acusado a ser preso, anteontem à noite, foi Fernando Guidotti, 32, monitorado pela polícia nas negociações sobre o resgate. Ele pedira R$ 120 mil, mas o pai, orientado pela polícia, o convenceu a aceitar R$ 80 mil.

Segundo Giudice, ele apontou o último cativeiro, uma pousada em Avaré (272 km de SP), onde o rapaz era mantido por outra presa, Kelly Hungria, 28, namorada de Davi.

Quase no mesmo momento, o pai, que negociava com Guidotti, deixou os R$ 80 mil de resgate em um ponto da Grande São Paulo, não revelado.

Davi pegou o dinheiro, entrou em contato com a namorada, sem saber que ela já estava presa, e dirigia ao interior do Estado quando foi detido. Todo o dinheiro foi recuperado.

A Folha tentou falar com os acusados quando eram transferidos da DAS ontem à tarde, mas eles ficaram em silêncio.

De janeiro a junho deste ano, segundo a Secretaria da Segurança Pública, houve 55 seqüestros no Estado -no mesmo período de 2006, foram 66.

Fonte: Folha de São Paulo