Aula na Igreja Evangélica Verbo da Vida, em Campo Grande é para iniciantes; uma oração encerra as atividades do dia.

A aula começa pontualmente às 22 horas. O espaço ainda é um pouco apertado, mas os alunos não se importam. Por apenas R$ 40,00 mensais, eles vestem os kimonos azuis e as faixas de iniciante para aprender a arte marcial

[img align=left width=300]http://cdn1.campograndenews.com.br/uploads/tmp/images/5158477/640×480-00e1eaf5db70c39034dffc056867eb8b.jpg[/img]Nas aulas de jiu-jitsu do advogado e faixa-preta Pedro Marzabal, 26 anos, tudo corre como manda o figurino, exceto no final, onde uma oração encerra as atividades do dia.

O treino faz parte de um projeto que começou há dois meses no prédio da Igreja Evangélica Verbo da Vida, em Campo Grande.

A ideia surgiu do professor ao lado do pastor do grupo de jovens da igreja, Henrique Maia, 26 anos, que se conheciam de longa data e acreditavam que era possível evangelizar por meio do esporte. “Sempre tive paixão pelo jiu jitsu, eu faço desde os 12 anos. Mas, a igreja surgiu depois. Há três anos eu me converti e desde então eu tenho no coração esse desejo de passar o conhecimento do jiu jitsu para os cristãos”, afirma Pedro.

Não há restrições para participar. As meninas treinam junto com os meninos e até não evangélicos podem participar. “A ideia é que todos participem. É uma forma de que as pessoas conheçam a palavra de Deus, mas não é obrigado a se converter”, explica Pedro.

Mesmo assim, a maioria dos participantes é da igreja. O grupo costuma iniciar o treino após os ensinamentos do culto que começa um pouco mais cedo. Uma das religiosas e agora adepta do jiu-jitsu é a estudante Thays Freitas de Abreu, 22 anos.

Vaidosa, com os cabelos arrumados e levemente maquiada, ela conta que nunca foi muito interessada em esportes, mas que se encontrou na arte marcial. “Eu fiz bastquete e vólei quando era criança, mas era mais na brincadeira. Agora eu estou gostando bastante, criei uma disposição física que eu não tinha, ajuda muito”, acredita.

la e outra menina são as únicas representantes do sexo feminino do jiu-jitsu. “Eu acho que estamos quebrando um tabu. Nós somos meninas, da igreja e treinamos junto com eles. Eu não treino diretamente porque sou pequena, eu acho”, ri. Mas, de acordo com ela, a colega encara os outros competidores. “Não tem problema nenhum”, frisa.

Quem vê de fora pode pensar que o esporte é uma espécie de atrativo para encontrar novos fiéis, mas o pastor responsável por toda a história faz questão de afirmar que não.

“Eu fui atleta de tênis durante muitos anos e sempre achei que o esporte tinha um papel importante na disciplina, respeito e educação dos jovens, que traz um equilíbrio natural para a vida. Meu objetivo foi aliar isso à palavra. Nós temos um momento de pregação, que a palavra é dita no final dos treinos, mas mesmo se a pessoa não quiser se converter tudo bem. Nós confiamos no impacto moral do esporte e da palavra”, acredita Henrique.

[img align=right width=300]http://cdn1.campograndenews.com.br/uploads/tmp/images/5158477/300×225-ccb2a969c27d33112ace9a0a674edd3b.jpg[/img]Um dos não convertidos que participa das aulas, o estudante Nivagner Dauzacker, 19 anos, diz que o convite para vir a igreja existe sempre. “Eles conversam, mas você vem se tiver vontade. Eu não vim ainda pela rotina, que é puxada”, diz.

Católico de berço, ele afirma que a família não costuma ir tanto à igreja e por isso não adquiriu o costume. “O que eles dizem aqui é bem interessante, querendo ou não toca o coração da gente”, afirma.

As aulas são realizadas nas segundas e quartas-feiras às 22 horas e sábado, às 15 horas. “O que nós cobramos é mais simbólico e também porque não temos muitos materiais. O tatame foi doação e o resto nós estamos conseguindo aos poucos”, explica o professor.

Informações sobre as aulas no telefone: (67) 9120-8551.

[b]Fonte: Campo Grande News[/b]