O Brasil poderá ter, pela primeira vez, um Prêmio Nobel da Paz. Indicado pela ONG Comitê da Paz, o deputado federal Pastor Manoel Ferreira (PTB-RJ) é conhecido por estar à frente de projetos de inclusão social para pessoas carentes, crianças e idosos no Brasil e em outros países como Bolívia, Rússia, Noruega e Ucrânia.

Confira entrevista com o pastor:

O que sua campanha ao Prêmio Nobel da Paz representa?
Acredito que só a indicação de um brasileiro ao Nobel da Paz já é uma situação especial. Nós nunca tivemos um Nobel, principalmente da paz, para o Brasil.

A violência tem se tornado um dos principais problemas no Brasil. O senhor acredita que uma candidatura ao Nobel da Paz pode influenciar na melhoria desse quadro?
Acredito que essa indicação pode unir as pessoas. Penso que quem estará concorrendo não será apenas o Bispo Manoel Ferreira ou um segmento religioso, mas sim o Brasil.

Como o senhor avalia o quadro de violência, em especial nas grandes cidades como o Rio?
Com profunda tristeza, porque esse é um problema que vem se agravando ao longo dos anos. Os governos, infelizmente, resolveram adotar apenas o enfrentamento e o imediato. Esqueceram que para resolver esse problema são necessárias ações de longo prazo.

Que ações?
É preciso que se invista em outras áreas, como a ação social, criando oportunidades de trabalho, construindo mais escolas e buscando uma política de segurança com inteligência. O Rio, por exemplo, não produz drogas nem armas de grosso calibre. Isso tudo vem de fora. Seria muito mais eficaz tentar evitar a entrada das drogas e armamento através de centros de inteligência. Partir para política de enfrentamento com o bandido não é a melhor opção.

Qual avaliação que o senhor faz do atual cenário político?
Avalio que estamos melhorando. Nunca se investigou tanto e se bateu tão forte nos grande agentes da corrupção. Antigamente, a luta era contra ladrão de galinha, o negro e os pobres. Hoje, vemos gente rica dançando na corda bamba, sendo investigada e cassada. A minha perspectiva é de melhora. Mas ainda temos um caminho longo pela frente. Criar uma consciência não é como passar de um dia para o outro. Isso demanda muito tempo e os jovens têm um papel importante nesse processo.

E os jovens têm consciência do seu papel?
Os jovens já são o presente. Já vemos vários governantes jovens, com uma nova mentalidade. Mas, a maioria ainda não tem consciência do seu papel. Estamos vivendo um tempo de muita maldade e os jovens têm a grande responsabilidade pela mudança. Não podemos continuar como estamos e, principalmente, com o poder nas mãos das pessoas que aí estão, tornando uma coisa viciada.

Fonte: Jornal de Brasília