Pastor Joel Holder é considerado homem de muita prudência, respeitado por todos que lhe conhecem e honrado por toda a Igreja que preside, sendo um exemplo aos fiéis.

Já diz o ditado “o hábito não faz o monge”, então se engana quem vota em político considerando sua mera conduta religiosa, pelo menos é que pensa o pastor Joel Holder, presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Porto Velho e um dos líderes evangélicos de maior prestígio e renome em Rondônia, com atuação inclusive no exterior.

Ele confirma o que muitos já têm dito, “o fato de o político ser evangélico não o livra da tentação do dinheiro nem o exime da corrupção”, a revelação do líder religioso ao repórter Carlos Araújo para a Entrevista da Semana do Tudorondonia.

Aos 77 anos, esse rondoniense filho de barbadianos que veio trabalhar na construção da Estrada de ferro Madeira-Mamoré, nascido na antiga Vila Caiari, pastor Joel Holder é considerado homem de muita prudência, respeitado por todos que lhe conhecem e honrado por toda a Igreja que preside, sendo um exemplo aos fiéis. Durante toda sua vida de crente (nasceu em lar cristão) tem demonstrado ser fiel a Deus e leva uma vida espiritual que serve de exemplo até mesmo aos mais velhos na fé.

Descendente de barbadianos com ascendência inglesa, o pastor Joel Holder nasceu em Porto Velho e, antes de ser pastor, trabalhou como bancário, no Banco do Brasil, época em que sofreu o que ele chama de o grande milagre da vida dele. Seqüestrado junto com outros três funcionários do banco e com suas respectivas famílias, o líder religioso foi poupado do que poderia ter sido sua morte e percebeu que precisava se dedicar mais a Deus.

O pastor lidera uma das maiores congregações cristãs de Porto Velho, a Assembleia de Deus, designação religiosa que chegou ao Brasil por intermédio dos missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, que aportaram em Belém, capital do Estado do Pará, em 19 de novembro de 1910, vindos dos Estados Unidos.

Os missionários suecos traziam a doutrina do batismo no Espírito Santo, com a glossolalia — o falar em línguas espirituais (estranhas) — como a evidência inicial da manifestação que já vinha ocorrendo em várias reuniões de oração nos Estados Unidos e também de forma isolada em outros países, principalmente naquelas que eram conduzidas por Charles Fox Parham, mas teve seu apogeu inicial através de um de seus principais discípulos, um pastor leigo negro, chamado William Joseph Seymour, na rua Azusa, Los Angeles, em 1906.

Foi esse falar em línguas estranhas que levou pastor Holder a crer que Deus o protegeu durante o assalto ao Banco do Brasil para que ele pudesse vir a ser o líder religioso que é hoje. Adepto moderado do ecumenismo e comunicador por natureza, o pastor já ministrou cultos ao lado de representantes de outras religiões e não discrimina quem busca a Deus, mesmo que por outros dogmas. O lado da comunicação é usado na apresentação de um programa na Rádio Boas Novas, através do qual dá orientações religiosas aos membros de sua e de outras igrejas, sempre tendo como pano de fundo o texto bíblico.

[img align=left width=300]http://www.tudorondonia.com/uploads/10770.jpg[/img]O pastor Joel Holder conta que sempre foi muito caseiro, não concluiu o curso superior e fez poucas, mas sinceras, amizades. “Recentemente estive em Paris, França, e reencontrei um amigo, Mauricio José Bustani, nascido em Guajará-Mirim, que atualmente é embaixador do Brasil em Paris”.

Casado com a professora Linduína, também muito conhecida no meio educacional, pastor Holder tem três filhos, e se orgulha de dizer que estão todos formados, uma em administração, outra em bioquímica e o filho, formado em farmácia, cursa o quarto ano de medicina. Ele também se orgulha de dizer que tem dois netos, um menino e uma menina.

Um fato curioso da vida do pastor Joel Holder é que, apesar de ser de uma família religiosa, seu pai foi presidente da antiga casa de bailes noturnos “Danúbio Azul”, que atraia muitos casais em noites de festas. Tendo a mãe como exemplo maior, Holder seguiu seus passos na religião e ingressou no ministério, já tendo exercido várias funções na igreja que agora é pastor presidente, a Assembleia de Deus de Porto Velho.

Indagado sobre a situação do ex-deputado Valter Araújo, membro da Assembleia de Deus, eleito pedindo votos aos irmãos e que depois de eleger-se presidente da Assembleia Legislativa teve o mandato cassado e está preso acusado de liderar uma quadrilha que se organizou para roubar recursos públicos da saúde, o pastor Joel Holder, assegura que, apesar da condenação dada ao ex-parlamentar, ainda pode haver muito a se descobrir e isso só Deus fará. “Se ele (Valter Araújo) for o errado, então sua punição é justa e ele deve cumprir a pena que lhe for imposta, mas senão, outra pessoa receberá a justiça divina”. Pastor Joel Holder afirma que ora para que Valter se reencontre com Deus e que volte a trilhar os caminhos dos desígnios do Senhor.

Como estamos numa época de muita reflexão religiosa, de introspecção e incessante busca por Deus, nada mais plausível que abrilhantar os leitores dessa coluna com uma entrevista exclusiva com um dos maiores líderes religiosos de Rondônia, pastor Joel Holder.

Confira a entrevista:

Tudorondônia: O senhor faz parte das famílias tradicionais da Madeira-Mamoré, seus pais vieram de Barbados ou de Trinidade-Tobago?

Joel Holder: Vieram de Barbados e temos ascendência de ingleses.

Tudorondônia: Quando chegaram a Porto Velho e onde foram morar?

Joel Holder: Meus pais foram contratados por uma das empresas que vieram construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, não sei precisar a data, mas foram morar na antiga Vila Caiari, onde, ainda hoje, mora minha mãe.

Tudorondônia: O senhor chegou a trabalhar na Madeira-Mamoré?

Joel Holder: Não, só meu pai e meu avô.

Tudorondônia: O senhor é funcionário aposentado do Banco do Brasil, como se deu seu ingresso no banco e quais cargos ocupou?

Joel Holder: Meu ingresso na carreira de bancário do Banco do Brasil foi um milagre. Antes do banco, eu trabalhava na Sinap, empresa de navegação que ligava Manaus a Porto Velho. Então soube que haveria concurso para o BB e resolvi me inscrever, mas sem muita esperança, porque não estudei nada, usei apenas o saber que já tinha. Mas como por milagre de Deus, a prova trazia justamente o conteúdo que eu sabia. Passei pela graça e misericórdia de Deus. Trabalhei 28 anos no banco, passamos por muita coisa, inclusive seqüestro. Lá fui caixa, ajudante de serviço, supervisor e tesoureiro, função que exerci até a aposentadoria.

Tudorondônia: O senhor vivenciou Porto Velho nos tempos de Território Federal do Guaporé, passou por Território de Rondônia e estado, como analisa Porto Velho daqueles tempos e nesta longa trajetória?

Joel Holder: Porto Velho teve um crescimento demográfico rápido e desordenado. Tenho foto que mostra Porto Velho com umas dez casas na beira do Rio Madeira, e agora está aí essa grande cidade. O estado também cresceu muito, principalmente na época do governo Jorge Teixeira.

Tudorondônia: Como líder da igreja evangélica Assembleia de Deus, qual sua visão sobre o Estado que é considerado o terceiro mais evangélico do Brasil?

Joel Holder: A gente agradece a Deus por isso, porque o Evangelho é pregado em todos os locais. Se em Rondônia é aceito por muitos a gente se orgulha disso.

Tudorondônia: Como analisa a trajetória política de Rondônia, considerando os grandes líderes políticos que o senhor conheceu e os de agora?

Joel Holder: Estou com 77 anos de idade e sempre fui observador de notícias políticas. Agente vê que Porto Velho poderia ser uma cidade melhor, se não fosse alguns entraves, que a gente não sabe exatamente quais são, mas que impedem o bom desenvolvimento do município. Precisamos de um bom plano de governo. Na verdade um plano de estado, que tenha sequência independentemente de quem esteja à frente do Poder Executivo. Só assim os recursos teriam um melhor direcionamento. Mas sempre oramos por nossas autoridades.

Tudorondônia: O senhor conheceu Rondônia com apenas dois municípios, Porto Velho e Guajará-Mirim, de 1977 pra cá foram criados 50 municípios, como avalia esse crescimento do ponto de vista migratório e da influência religiosa?

Joel Holder: Rondônia é um celeiro. Temos diamantes, cassiterita e um terreno fértil para produzir, tem o gado e a lavoura, então, quando o lugar é propício e gera riquezas, sempre atrai pessoas. Foi isso que chamou a atenção de pessoas de outros estados e de outros países. As hidroelétricas, por exemplo, trouxe muita gente e, nessa vinda, inclusive a igreja migrou. No interior do Estado temos igrejas modernas com grandes áreas e muitos crentes.

Tudorondônia: O senhor é desses pastores evangélicos que consideram os católicos infiéis?

Joel Holder: Não, até porque eles estão procurando o mesmo salvador que nós. Há uma divergência muito forte porque eles não crêem diretamente em Jesus, põem Maria no meio, que é mãe de Jesus. Maria não salva, foi apenas o canal de personificação de deus em homem na terra. Ela é bem aventurada porque é mãe de Deus, mas Jesus é quem perdoa pecados, é quem salva. Nós cremos pela fé, não temos imagem no templo.

Tudorondônia: Qual a sensação de um líder religioso que declara apoio a um candidato político ou pede aos fiéis para votar em determinado candidato e depois o vê preso, acusado de corrupção, como aconteceu com o ex-deputado Valter Araújo?

Joel Holder: É um fato lamentável. A gente não orienta para isso, a gente orienta sempre para honestidade, sinceridade e fé, mas não se pode obrigar ninguém, quando as pessoas decidem muitas coisas não nos consultam. Por exemplo, temos orientado nossos jovens para o casamento desde que namoram, mas, uma vez ou outra, tem um desvio. A política é muito diversificada, corre muito dinheiro, a pessoa tem que ser muito honesta, tem que ter uma firme determinação. Se as acusações são verdadeiras que ele (Valter Araújo) pague, mas se não for, alguém vai pagar um dia. Então tem que ver se realmente tudo que dizem sobre ele é verdade. A igreja ora para que ele se reencontre com Deus, damos nosso apoio orando por ele. Dinheiro é uma tentação no jogo político, e quanto maior o cargo, maior a tentação

Tudorondônia: A igreja Assembléia, assim como outras igrejas, buscam converter à fé presidiários que cometeram, às vezes, crimes bárbaros, hediondos. A igreja não teme ser apenas usada por essas pessoas, já que muitas só usam do termo evangélico para conseguir ‘regalias’ na prisão e voltam a cometer crimes tão logo ganham a rua?

Joel Holder: A missão da igreja, deixada por Jesus, é “ide por todo mundo, pregai o Evangelho e fazei discípulos, quem crer e for batizado será salvo”. Então, nós não fazemos distinção. Por nossa cabeça passam coisas boas e coisas más, então, você se volta para o que acha melhor. Um exemplo que ilustra bem isso é o do ladrão que foi pregado na cruz ao lado de Jesus e que foi salvo ao defender o Cristo das blasfêmias do outro ladrão. Ele fez uma escolha no último minuto, pediu para que Jesus se lembrasse dele quando estivesse no paraíso e o filho de Deus disse: “hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. Muitos fazem maldade porque não conhece o poder do Evangelho. Nós, pregadores, não escolhemos classe, escolhemos seres humanos, não podemos julgar, levamos o Evangelho a todos. Quem se arrepender está salvo. Mas a Deus ninguém engana.

Tudorondônia: O senhor já foi procurado por líderes da Igreja Católica para, por exemplo, realizar celebrações conjuntas?

Joel Holder: Já, a gente realiza formatura de estudantes conjuntamente. Há alguns anos celebramos um casamento na Espanha, eu e um padre, eu fiz minha parte e ele a dele, mas é como água com gasolina, não se mistura, há entrosamento, mas independência de ritos.

Tudorondônia: No início dos anos 80, o senhor, como tesoureiro do Banco do Brasil, foi seqüestrado por um bando que assaltou o BB. Qual a lembrança que o senhor guarda desse episódio e como foi ficar seqüestrado?

Joel Holder: Foi o maior assalto da época, roubaram 320 milhões de cruzeiros, mas tenho o assalto como um milagre de Deus, um milagre que me fez ver que minha função no banco era transitória e que eu devia me dedicar mais as obras de Deus. Fomos ameaçados três vezes e, na quarta, fomos pegos. Passamos a noite sob o poder dos bandidos, em casa. Outros dois colegas também passaram pela mesma coisa. A coisa toda poderia ter resultado em tragédia, mas a mão de Deus nos protegeu. Quando estávamos sob poder dos criminosos, minha mulher orou a Deus rapidamente, pediu para que, se não fosse acontecer nada grave com gente, fosse dado um sinal, uma manifestação espiritual, então eu sentei no sofá e comecei a falar em línguas estranhas, foi quando um dos bandidos, que era evangélico, pediu para eu ter calma, que nada de mais nos aconteceria. No mesmo dia do sequestro tivemos reunião da igreja, eu raramente faltava, então, quando o pastor percebeu que eu não tinha ido para a reunião, pediu para alguém ligar, a mando do bandido eu falei que estava cansado e que não iria, o pastor estranhou, disse que ia passar em casa ou ligar mais tarde, mas esqueceu. Graças a Deus, porque poderia ter acontecido algo muito ruim. Nesse caso, todo o dinheiro foi recuperado aqui em Porto Velho ainda. Quando aconteceu o roubo, um dos pastores pediu que Deus confundisse o povo (ladrões), o que realmente aconteceu, porque, no sábado seguinte ao roubo (o assalto aconteceu numa quinta-feira), quando eles (bandidos) se preparavam para viajar, na mesma agencia de viagem, um auditor, que estava no banco na hora do assalto, reconheceu os bandidos e acionou a polícia.

Tudorondônia: O senhor guardou algum trauma desse episódio?

Joel Holder: Não, ficou apenas o susto. A gente foi pego por volta da 20h30 do dia 08 de setembro, não lembro o ano. O primeiro colega de trabalho que saiu percebeu que era assalto e não disse nada, mas quando chegou em casa foi pego, depois foi pego uma colega e em seguida fui eu. Os bandidos pediram a colaboração dizendo que só queriam assaltar o banco e que não tinham o que perder. Pediram 200 milhões, depois mudaram de idéia e foram para nossas casas e então, pela manhã, fomos ao banco, entramos, os guardas estavam lá e quando viram a 765 começaram a tremer e abriram a porta.

Tudorondônia: Nas eleições de 1998, assim como em outras eleições, houve uma disputa acirrada pelo apoio de líderes da Igreja Assembléia de Deus, que apoiou o candidato Bianco. O senhor ficou decepcionado com a demissão de 10 mil trabalhadores do serviço público, entre eles, muitos pais de famílias evangélicos?

Joel Holder: Foi uma grande falha do Bianco, ele não imaginava a amplitude negativa que ia causar pra ele.

Tudorondônia: Como a senhor avalia a proliferação de templos evangélicos pelo Brasil e, em especial em Rondônia, muitos delas com o claro propósito de arrecadar dinheiro?

Joel Holder: Cada cabeça uma sentença. Você tem o direito de escolha, o livre arbítrio. Só tem duas condições, se você está no certo é porque não está no errado, se é fiel é porque não é infiel, se obedece é porque não é desobediente, então, o que diz a bíblia sobre a manutenção da igreja? Malaquias fala sobre a administração de recurso, a mensagem bíblica é trazer todos os dízimos para manutenção do templo e da obra de Deus. Mas não podemos forçar ninguém a dar. Quem dá mais é mais abençoado do que quem dá menos. A maior bobagem do homem é tentar enganar a Deus. Não se pode sonegar para Deus. Deus diz dai e ser-vos há dado. Ninguém é obrigado a dar nada, mas há as consequências para quem não é dizimista.

Tudorondônia: Qual o significado do Natal para os evangélicos?

Joel Holder: O Natal, para falar sobre isso me reporto a dois importantes eventos: as profecias da vinda de Jesus ao mundo e a chegada de Jesus ao mundo, nascido sem que ninguém saiba, só Maria e José. Outro episódio ainda é quando ele (Jesus) começou a subir ao céu, quando disse que um dia ia voltar. Naquela ocasião os anjos apareceram aos discípulos e disseram “o que fazem olhando para o céu, galileus, o Jesus que ora sobe, voltará da mesma forma”, então Jesus vai voltar da mesma forma, sem ninguém saber, só quem acredita e trabalha na obra saberá que ele voltou. O Natal é a palavra de Deus.

Tudorondônia: Qual sua mensagem de Natal aos cristãos de Rondônia?

Joel Holder: Que nós nos preocupemos mais em glorificar a Deus e não ao homem. Todos os domingos homens e mulheres se reúnem para aplaudir atletas em jogos, mas temos que nos reunir para glorificar a Deus em alto e bom som e depois semear a paz, defendermos a paz. Quem está em litigo deve procurar criar a paz e ter boa vontade entre os homens, fazer as coisas com boa vontade, servir a Deus de boa vontade.

[b]Fonte: Tudorondônia.com[/b]