Ex-policiais militares condenados pela participação na chacina da Candelária tentaram mas não conseguiram impedir a exibição do programa Linha Direta da TV Globo que contou a história do crime na quinta-feira (27/7).

Marcos Vinicius Borges Emmanuel e Nelson Oliveira dos Santos Cunha entraram com ações na 2ª e na 10ª Vara Cível do Rio de Janeiro para proibir a transmissão do programa. Pediam também que, caso o programa fosse exibido, seus nomes não fossem mencionados. Os dois pedidos foram negados.

Nelson Cunha, que está em liberdade condicional, alegou que está em processo de ressocialização. Ele que é pastor e tem família, afirmou que a transmissão do programa poderia prejudicá-lo. O juiz da 10ª Vara Cível deu liminar para suspender o programa, mas a liminar foi cassada pelo Tribunal de Justiça.

Na outra ação, Marcos Emmanuel alegou que está cumprindo pena e que o programa poderia afetar sua imagem. O juiz da 2ª Vara entendeu que como o programa se limitava a narrar fatos históricos e documentados na ação penal, não haveria porque suspender a transmissão.

O escritório San Tiago Dantas Quental Advogados Associados, que fez a defesa da TV Globo, alegou que o programa foi baseado em fatos históricos, que há interesse público manifesto e que a liberdade de expressão deveria ser assegurada. Também afirmou que procurou os envolvidos e os familiares, caso quisessem dar sua versão sobre os fatos, mas que não quiseram gravar entrevista.

A chacina

A chacina da Candelária ocorreu na madrugada de 23 de julho de 1993, quando um grupo de policiais militares assassinou a tiros oito menores moradores de rua, nas imediações da igreja da Candelária, no centro do Rio.

Dos oito policiais citados no crime, apenas três estão cumprindo pena. O ex-policial Marcos Vinícius Emanuel foi julgado e condenado a 300 anos de reclusão em regime fechado. O pastor Nelson Oliveira dos Santos Cunha foi condenado a 18 anos. E Marcos Aurélio Dias Alcântara a 204 anos.

Os policiais Jurandir Gomes de França, Marcelo Cortes e o evangélico Cláudio Luiz Andrade dos Santos foram absolvidos pelo júri popular, depois de passarem 3 anos presos. Arlindo Lisboa Afonso Júnior ainda não foi levado a julgamento. E Maurício da Conceição, conhecido como Sexta-feira 13, foi assassinado antes de ser julgado pelos crimes cometidos na Candelária.

Fonte: Último Segundo