A pedofilia deverá entrar na pauta da 48.ª Assembleia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se reunirá de 4 a 13 de maio em Brasília, embora não conste da relação de itens aprovados para discussão em plenário.

O bispo de Franca, d. Pedro Luiz Stringhini, que tem um padre acusado de abusos sexuais contra menores em sua diocese, disse que pedirá a inclusão do tema, buscando para isso o apoio de outros bispos.

O presidente da CNBB, d. Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Mariana (MG), declarou que a presidência não tomará a iniciativa de incluir a pedofilia na pauta porque a relação de assuntos a serem tratados já foi definida com antecedência pelo Conselho Permanente, de 39 membros. “Se algum bispo pedir a discussão desse tema, caberá ao plenário decidir se a proposta deve ser aceita ou não”, disse d. Geraldo.

O tema central será a Palavra de Deus (Discípulos e Servidores da Palavra de Deus e a Missão da Igreja no Mundo) e um dos assuntos prioritários serão as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).

Gravidade. D. Pedro conversou ontem com d. Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito (aposentado) de Blumenau (SC), que durante oito anos foi o responsável pelo setor encarregado da formação de seminaristas e do acompanhamento de diáconos e padres no País. “Seria um absurdo se a pedofilia não fosse discutida na assembleia da CNBB, pois se trata de problema gravíssimo”, afirmou d. Angelico.

Os bispos poderão debater a pedofilia em plenário ou optar por uma sessão privativa. Em qualquer uma das hipóteses, o episcopado publicaria uma declaração da Assembleia-Geral sobre a questão – condenação dos abusos, punição dos culpados e, com certeza, uma palavra de repúdio à suposta tentativa dos adversários de envolver o papa no escândalo.

Fonte: Estadão