A religião católica é predominante em Cuiabá, embora haja um significativo número de adeptos para outras denominações religiosas, que juntas reúnem 30,8% dos fiéis. De cada dez moradores de Cuiabá, seis se dizem católicos; entre evangélicos, fiéis da Assembléia de Deus são os mais numerosos.

De acordo com a pesquisa Alma Cuiabana, 61,8% dos moradores da cidade se dizem católicos.

Entre os evangélicos, a igreja que mais se destaca é a Assembléia de Deus com 8,2%. Os espíritas representam 4,7% dos entrevistados e a Batista ocupa o quarto lugar com 3,7%. Já 4,3% das pessoas consultadas disseram não ter nenhuma religião e 3,2% não sabem ou não responderam.

Para o vigário geral da Arquidiocese de Cuiabá, Deusdédit Almeida, o povo cuiabano é extremamente religioso, embora venha sofrendo interferências e influências ocasionadas pelo fluxo migratório, que na sua visão tendem a desraizar a cultura e tradição das pessoas. “Que perdem a referência religiosa também”, comenta.

Padre Deusdédit lembra que todas as cidades brasileiras passaram por uma transformação cultural e religiosa nos últimos anos. “No Brasil, a porcentagem dos que se declaram católicos têm diminuído nos últimos 30 anos”, observa. Segundo ele, o Censo de 1970 mostrava que na época 91,77% dos brasileiros se consideravam católicos. Em 1980, o percentual caiu para 88,95% e, em 1991, para 83%.

Hoje, as pesquisas apontam para 74,9% do povo brasileiro como católico. Destes, 50% são considerados de religiosidade popular, ou seja, vão ocasionalmente à igreja e o restante (24,9%) participa freqüentemente, são os chamados praticantes.

“Em Cuiabá, houve uma sensível diminuição de católicos em função da explosão demográfica, que também leva a perda de identidade, de valores religiosos e de tradições. O homem da cidade é um secularizado. O sagrado para ele foi deslocado para outro plano. Não tem mais como principal eixo da sua vida a religião”, diz.

Conforme o vigário, o cuiabano costuma expressar sua religiosidade em momentos festivos e fortes como as festas de São Benedito, nas procissões e em encontros como o Vinde e Vede. “São momentos fortes que o cuiabano expressa a sua fé”, diz, informando que a Igreja Católica tem procurado valorizar as devoções populares ou festas de louvor a santos padroeiros.

“Porque nas festas patronais o povo busca a igreja. Ele tem a devoção a São Benedito, Santo Antônio e São Pedro”, observa. “Há festas que têm mais de 300 anos, que passam de pai para filho e são preciosas para a nossa evangelização porque aproveitam elementos bíblicos e que procuramos enriquecer acrescentando elementos teológicos e doutrinais para que essa religiosidade tenha uma expressão mais viva, mais participativa e eclesial”.

O cuiabano também freqüenta as igrejas. “As igrejas domingo à noite estão sempre cheias. Já não é como no passado. Como já disse, a cidade hoje é secularizada. Hoje o domingo não é mais o dia do Senhor, é o dia do homem, do passeio, do lazer, da cervejinha. À noite, se der a pessoa vai à missa. Não é que ela perdeu a fé de vez, mas não tem a mesma devoção de antes”, diz o padre Deusdédit.

O vigário lembra ainda que outro fenômeno que se constata na capital é o pluralismo religioso. “Hoje existe um número muito grande de igrejas. E as pessoas buscam aquilo que está mais próximo, aquilo que atende mais os interesses, que traz uma cura imediata, por exemplo”.

Fonte: Diário de Cuiabá