Pesquisa do instituto alemão Bertelsmann Stiftung mostra que 65% dos jovens brasileiros de 18 a 29 anos disseram ser profundamente religiosos, outros 30% se declararam religiosos, e apenas 4% responderam não ter religião.

Todos os dias, antes do sol nascer, o estudante universitário Yuri Youssef Hassan, 21 anos, se ajoelha em adoração a Alá. Em Santo André, Rebecca Rink Orefice D’gostino, 17, e Jorge Pezzin Cardoso, 16, rezam antes de sair de casa para a escola. Noutro canto da cidade, Camila Santos de Carvalho, 20, também faz prece. Em São Bernardo, Jaqueline Rocha Ramos, 22, que já está desperta às 6h, também faz sua oração e se prepara para um dia inteiro devotado a Deus.

Eles fazem parte da terceira população jovem mais religiosa do mundo. É o que informa levantamento realizado em 21 países pelo instituto alemão Bertelsmann Stiftung. Segundo o estudo, 65% dos jovens brasileiros de 18 a 29 anos disseram ser profundamente religiosos, outros 30% se declararam religiosos, e apenas 4% responderam não ter religião.

Professor de teologia da Universidade Metodista de São Paulo, Nicanor Lopes explica que a pluralidade de credos no País é um incentivo para os mais novos. “A liberdade religiosa no Brasil é uma conquista do final do século 19 e veio com o movimento republicano. Por natureza, a cultura brasileira estimula a experiência religiosa e as famílias costumam cultivar e difundir essa prática”, afirma.

Essa liberdade religiosa tem reflexo em vários jovens. Membro do Instituto das Missionárias da Imaculada Padre Kolbe, no Riacho Grande, em São Bernardo, Jaqueline Rocha Ramos, conheceu o trabalho de missionárias aos 14 anos e precisou de cinco anos para decidir pela vida consagrada. Hoje ela é noviça e está preparada para assumir os votos de ‘castidade, obediência e pobreza’.

Antes disso, porém, completou os estudos, fez curso técnico, de inglês, trabalhou como secretária e namorou. Ela confessa que havia prazer em realizar todas essas atividades, mas não se sentia realizada.

Como todo jovem, também surpreendeu a família. “Os pais têm um projeto para o filho, mas eu segui outro rumo. Eles não entendiam porque eu queria isso”, diz a noviça, que é filha única.

Jaqueline já viajou para a Europa e para distantes regiões do Brasil para se reunir com jovens religiosos. Foi na viagem à Polônia, depois de visitar o campo de concentração de Auschwitz – símbolo do extermínio de judeus promovidos pelos nazistas – que ela decidiu pela vida abnegada.

Os contrariados pais ainda moram no bairro Assunção, em São Bernardo, na mesma casa onde a noviça um dia também morou. Hoje entendem a decisão da filha.

Respeito

Outro que se dedica à religião é Yuri Youssef Hassan. “Todo ano quando vou para à Arábia Saudita passo pela Inglaterra e percebo que lá eles são muito mais preocupados com a aparência do que no Brasil”, diz, em alusão à imagem pejorativa que muitos fazem de muçulmanos como ele.

Realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Censo Demográfico de 2000 apontou que 73,6% dos brasileiros são católicos, 15,4% evangélicos e 1,3% espíritas. Seguidores da umbanda e do candomblé são 0,3% da população e 1,8% cultuam outras religiões. Os que não possuem credo representam 7,4% do contingente.

Fonte: Diário do Grande ABC