Para o professor de medicina comportamental, Richard Sloan, as pesquisas que mostram saúde relacionada à religião são uma afronta à ética da medicina.

O professor de medicina comportamental na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Richard Sloan, disse em entrevista para revista Veja publicada nesta semana, que as pesquisas que mostram saúde relacionada à religião são uma afronta à ética da medicina.

O autor é um dos maiores críticos às pesquisas que apontam benefícios à saúde através da fé, como a publicada recentemente, afirmando que religiosos têm menos risco de sofrer com a hipertensão.

Suas ideias estão no livro, Blind Faith: The Unholy Alliance of Religion and Medicine (Fé Cega: a aliança profana entre religião e medicina, em tradução livre).

Durante a entrevista, ele afirma que não há evidência sólida da relação entre devoção religiosa e boa saúde e que “a grande maioria dos estudos tem graves problemas metodológicos”. Ele acusa ainda de serem superficiais e de não focarem na ciência, mas sim na promoção de alguma religião.

“E usar a medicina para promover religião é uma violação dos valores éticos da medicina. E uma violação da liberdade religiosa”, expressa.

Sloan explica que muitos estudos usam uma mostra muito pequena de pessoas e selecionam os dados analisados de acordo com o que eles querem como resultado.

“Escolhe-se uma ou mais hipóteses e são feitos inúmeros testes. Eventualmente, se acha um resultado que atinge significância estatística, mas isso é metodologicamente inadequado.”

Além disso, ele reforça que uma saúde de maior qualidade nas pessoas religiosas esteja nas suas ações e não na fé, como fumar e beber menos.

“Essas pesquisas não podem ser provadas. São todas feitas com base em observação. Se fosse possível encontrar essa ligação entre religião e boa saúde, o certo a fazer seria procurar os mecanismos que ligam essas questões”, explica ele dando como exemplo a redução no isolamento social porque participam de reuniões religiosas.

Ele afirma ainda que, mesmo se fosse possível fazer esta ligação, a pesquisa não terminaria por aí. A próxima questão “seria: o que fazer com essa informação? Recomendar que as pessoas se tornem mais religiosas? Incentivar políticas que incentivem as pessoas a desenvolver mais interações sociais de qualquer natureza?”

Questionado se a religião não pode ser boa para dar esperança aos pacientes de hospitais, Sloan finalmente faz uma afirmação positiva: “Talvez possa fazer com que o paciente se sinta melhor e isso é uma coisa boa.”

Mas mesmo assim reforça a sua ideia contra a religião e termina dizendo que “há evidências de que otimismo, que não é o mesmo que esperança, está associado com uma saúde melhor. E otimismo não é receitável. Ou o paciente tem, ou não tem”.

[b]Fonte: The Christian Post[/b]