O bispo Alejandro Goic, presidente da Conferência Episcopal chilena, reiterou ontem a oposição da Igreja Católica do Chile à distribuição entre adolescentes da “pílula do dia seguinte”, decretada esta semana pela presidente Michelle Bachelet.

Segundo o bispo, a medida governamental foi adotada “sem ouvir uma parte importante do Chile”.

“Nós também nos preocupamos com a realidade social da gravidez adolescente, mas a normativa não é a solução que o país merece, pois coloca em perigo vidas humanas já concebidas e complemente indefesas”, declarou o religioso.

“A defesa da vida em todas as suas etapas é um dos valores essenciais da existência humana e de tudo aquilo que salvaguarde a sua dignidade”, acrescentou Goic.

Ricardo Lagos Weber, porta-voz da presidente, replicou que a política de distribuição da pílula não é uma obrigação mas uma opção: “O governo levou a cabo uma política que entende ser de sua responsabilidade. (…) É uma política que não é obrigatória, é voluntária, é uma opção e, deste ponto de vista, o que o governo faz é colocar à disposição ferramentas e procedimentos ao alcance de todos os chilenos e chilenas”, disse o porta-voz.

Lagos Weber informou que “a pílula do dia seguinte” já está à disposição dos que podem comprá-la em farmácias; e que o objetivo do governo é que ela também seja acessível aos que não têm dinheiro.

“Cada um a tomará ou não em função de suas crenças, valores e necessidades”, disse Lagos Weber em apoio ao decreto que a presidente Bachelet assinou esta semana. “Consideramos todas as expressões sobre esse assunto. Trabalhamos com a Igreja Católica e com todos os credos no Chile e continuaremos a conversar e a tentar encontrar os pontos em comum, que são muitos”, acrescentou.

O presidente dos bispos chilenos pediu hoje “um discernimento maduro e sereno diante desta situação que é um retrocesso na defesa da vida” e convidou à “renovação dos esforços para fortalecer o diálogo familiar, a educação para o amor, o compromisso e o testemunho em favor da vida e da dignidade das pessoas”.

O decreto que determina a distribuição da “pílula do dia seguinte” para pessoas entre 14 e 18 anos foi disposto na segunda-feira por Bachelet e passou pela Auditoria da República para entrar em vigor.

Fonte: ANSA