O Comitê Executivo da Federação Luterana Mundial (FLM), reunido na cidade de Helsinque de 24 a 26 de outubro, divulgou comunicado expressando comoção frente ao sofrimento, ao medo e à impotência vivenciados por pessoas e comunidades em decorrência da crise financeira mundial.

Integrado por dirigentes da igreja luterana de todo o mundo, o Comitê Executivo reivindicou uma análise das causas e das conseqüências da crise, denunciando a responsabilidade e a imediata prestação de contas por parte de governos, bancos, instituições financeiras, líderes empresariais e investidores.

Os dirigentes luteranos criticaram o fato de que bancos e instituições financeiras estejam sendo beneficiados através da aprovação de pacotes de resgate, enquanto a população pobre e vulnerável “suporta a maior carga”.

“É doloroso observar a rapidez com que recursos financeiros massivos são mobilizados para socorrer os mercados e as instituições neste momento de crise, enquanto uma fração desses recursos não pode ser direcionada para eliminar a pobreza extrema em todo o mundo”, advertem.

A mensagem da FLM recorda que as Sagradas Escrituras condenam, repetidas vezes, a idolatria da riqueza sem restrições e a cobiça, destacando que quando tudo começa a cair e falhar, o único em quem se pode confiar é Deus.

A mensagem dos luteranos exorta fiéis das igrejas a ficarem de pé e a se comprometerem através da fé, da solidariedade e da atenção com o povo mais afetado.

“Como pessoas de fé somos chamados a discernir o que Deus está nos dizendo em meio à crise para denunciar a injustiça e a irresponsabilidade, proclamar o projeto de Deus para a vida em comunidade e responder, compassivamente, às pessoas que vêem com profunda ansiedade suas vidas e seu futuro”, assinalam.

A mensagem pastoral associa a crise ao reflexo de um modelo insustentável em termos econômicos e ambientais, cujas conseqüências são catastróficas. Na avaliação dos dirigentes luteranos, as comunidades de fé devem constituir espaços nos quais se lute em nome da verdade para mostrar o que é preciso mudar.

Os luteranos convocam à união, a fim de reconstruir a confiança na comunidade e na criação de novas instituições e formas de governo que sejam sensíveis às reivindicações de justiça e, portanto, dignas de confiança.

Fonte: ALC