Apontado pela polícia como sendo um dos tentáculos da milícia conhecida como Liga da Justiça, o estudante de direito e pastor Alexandre de Souza Ferreira, de 37 anos, o Broa, está sendo caçado por agentes da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado e de Inquéritos Especiais (Draco/IE).

Ligado ao vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho, e ao irmão do parlamentar, o ex-deputado estadual Natalino Guimarães, Broa está com a prisão temporária decretada pelo juiz Alexandre Abrãao, da 1ª Vara Criminal de Bangu.

O pastor é acusado de ser um dos cinco homens responsáveis pelo seqüestro de oito pessoas, durante a invasão da milícia à Favela do Batan, em Realengo, no ano passado.

A comunidade é a mesma, onde um repórter, um fotógrafo e um motorista do jornal “O Dia” foram seqüestrados e torturados, por mais de sete horas, no dia 14 de maio de 2008.

De acordo com um inquérito instaurado na 33ª DP (Realengo), das oito vítimas seqüestradas pela milícia, pelo menos quatro foram torturadas e assassinadas.

Os corpos apareceram em Santa Cruz, na Zona Oeste e em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio.

Duas pessoas conseguiram sobreviver ao massacre: uma escapou do cativeiro e outra foi libertada pelos milicianos. Outras duas estão até hoje desaparecidas.

– O fato que motivou o seqüestro foi a tomada das favelas pela milícia – explicou o delegado Cláudio Ferraz, da Draco, que apura o caso em conjunto com o delegado Átila Láfere, da delegacia de Realengo.

A Draco investiga ainda a informação de que Broa foi visto, pouco depois do período eleitoral, em Campo Grande, na Zona Oeste. O local é um dos principais redutos da Liga da Justiça, que segundo a polícia é chefiada pelo ex-deputado Natalino Guimarães e pelo vereador Jerominho.

As quatro pessoas que moravam na Favela do Batan e tiveram a morte confirmada são: a dona-de-casa Alessandra Francisca da Silva, o estudante Diego de Melo Aquilino, Valdemir Gomes da Mota e Antônio Girlene de Araújo Tavares.

Quadrilha usou disfarce em ataque

Quatro vítimas da milícia foram seqüestradas, na madrugada do dia 18 de junho do ano passado. Vestindo roupas pretas com a inscrição “Serviço de Operações Especiais” e usando duas Blazers e um Gol, os milicianos atacaram primeiro um cobrador de transporte alternativo e um adolescente.

Levados para um cativeiro, os dois foram torturados com golpes de cassetete, para dizer os nomes e endereços dos traficantes da Favela do Batan.

Algemado em um degrau de uma escada de madeira, o cobrador conseguiu fugir, enquanto o adolescente levava os milicianos até a casa de Alessandra Francisca da Silva.

Acusada pela milícia de dar apoio aos traficantes, ela foi morta a pauladas. A morte foi gravada por milicianos, por meio de um celular com câmera.

Os bandidos mataram ainda Diego Aquilino, também capturado pelo bando. Depois de alegar que iria colaborar com a milícia, o adolescente foi liberado.

No dia 30, outras quatro pessoas também foram seqüestradas pela quadrilha. Os dois sobreviventes prestaram depoimento na 33ª DP. Eles reconheceram Broa como sendo um dos homens que os torturaram.

Fonte: Extra Online