O pastor da “Igreja Mieza”, do município do Cacuaco, em Angola, António José, mais conhecido por Papá Toni, foi detido pela Polícia Nacional, acusado de “intoxicação medicamentosa”, que levou à morte de dois cidadãos em Luanda.

O pastor é acusado de homicídio voluntário. Segundo a Polícia, os crimes ocorreram no dia 25 de Novembro e as vítimas são Guilherme Mateus Fernandes, casado, de 45 anos, padrinho de casamento do pastor, e Maria Inês dos Santos de 37 anos.

Segundo a Polícia Nacional, as vítimas encontravam-se internadas na residência do pastor, que se dizia ser terapeuta tradicional, para serem tratados contra o alcoolismo. António José deu-lhes a beber um medicamento que matou os dois pacientes.

O pastor tem outra versão. O tratamento das vítimas já tinha começado há duas semanas. Papá Toni disse à nossa reportagem que o “milongo” é à base de ervas que em Kikongo se chamam “Nkutakani”. As ervas “são muito boas para pessoas que desejam deixar de consumir álcool. Essa erva primeiro é analisada num laboratório tradicional antes do seu uso via oral”, disse Papá Toni.

O pastor jura que o medicamento ministrado às vítimas “retira todo o álcool do corpo humano”. Depois do tratamento, segundo o pastor, “foi recomendado aos pacientes a não mais fazerem uso do álcool”. Duas semanas depois, Guilherme Mateus Fernandes e Maria Inês dos Santos “desobedeceram à orientação”, e “foram beber numa maratona em Cacuaco”.

Papá Toni diz que é competente. Num só dia tratou pacientes com problemas de gota, falta de sorte para trabalhar, e “oito que bebem por excesso”. Todos os alcoólatras que vão à sua igreja pedir ajuda são avisados que depois de tomarem o milongo nunca mais podem tomar bebidas alcoólicas. “Até os obrigou a jurar que nunca mais vão beber. E ficam avisados que se querem beber mais, têm de voltar à igreja para lhes dar outra medicação”. Papá Toni recebe o “milongo” que tira o álcool do corpo da República Democrática do Congo (RDC), “mas em Luanda é comercializado em vários mercados”.

O pastor António José tem 36 anos, é “kimbanda” e pastor há 20. Afirma que antes nunca morreu nenhum dos seus pacientes. “E eu trato todas as doenças menos a SIDA”. Fez o curso na República Democrática do Congo, na Igreja de Cepsum.

A morte dos dois pacientes, segundo Papá Toni, “resultou na dúvida apresentada por eles, que julgavam que nada havia de acontecer em caso de consumo de álcool”.
Em relação ao pagamento dos tratamentos, o pastor diz que “o valor é de natureza voluntária e só depois do tratamento”. Segundo o pastor António José, a sua igreja tem autorização da Secção Municipal da Cultura de Cacuaco.

O pastor da “Igreja Mieza” tem três mulheres e 23 filhos para sustentar. É muita gente a clamar por Papá Toni.

Fonte: Jornal de Angola