Uma denúncia anônima levou policiais civis de Santo André a desmantelarem uma central de retransmissão de rádios piratas de igrejas evangélicas encravada em morro do Jardim Santo André.

Foram apreendidos nove antenas e seis aparelhos completos de transmissores com amplificadores de última geração, de sinal digital. Os equipamentos eram armazenados em buracos cavados pelos contraventores no chão, protegidos por tijolos, lonas e placas de metal.
Cada um é avaliado em R$ 5.000 em lojas especializadas do ramo. Sua distribuição, no entanto, depende de autorização da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

O local, uma área invadida pertencente à CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), é de difícil acesso. Ninguém foi preso. O homem que seria responsável por cuidar das instalações fugiu ao perceber a aproximação dos policiais. Deixou para trás estrutura pronta montada, com rede para descanso, cadeira, pacotes de comida e água. Além disso, outros buracos vinham sendo abertos pelos bandidos para abrigar mais transmissores.

“Eles escolheram muito bem. Ali é um dos lugares mais altos de Santo André”, disse o delegado Marcos Alexandre Cattani. Segundo ele, são constantes as denúncias de que há rádios piratas na região do Jardim Santo André. Tanto que, apesar de o lugar abrigar torres autorizadas de operadoras de telefone celular, os equipamentos clandestinos causavam interferência em sinais de televisão e internet.

Foram esses problemas técnicos que motivaram as denúncias dos próprios moradores. Sem querer se identificar por medo, eles confirmaram ao Diário que enfrentam problemas para assistir TV. “Tem dia que a imagem fica terrível. Ouvir rádio então, esquece, não dá”, disse um homem que mora próximo às antenas.

Investigações do DP já vinham tentando localizar o estúdio da rádio. “Vamos continuar apurando as informações”, disse Cattani, reconhecendo que a dificuldade é grande. A potência de alcance mostra que a base pode ficar em um raio de até dez quilômetros.

O trabalho da Polícia Civil também já havia identificado os possíveis responsáveis pelo pagamento do equipamento. Todas as estações são chamadas de Nova Geração, vertente de fiéis da Igreja Atalaia de Cristo, com sede na Capital. Graças à altura do morro andreense e à capacidade das antenas, o sinal era distribuído para toda a Grande São Paulo.

[b]Fonte: Diário do Grande ABC[/b]