Começou ontem a investigação sobre o caso de supostos evangélicos que provocaram lesões corporais no motorista Edmilson Freire Lindoso, 49, através de atos de curandeirismo, no Maranhão.

O caso está sob responsabilidade da delegada titular do 10º Distrito Policial, no Coroadinho, Katherine Lima. Ontem a delegada colheu depoimentos dos familiares da vítima. Os Lindoso alegam que os suspeitos prometeram a cura das doenças de Edmilson através de tratamento alternativo iniciado nos primeiros dias deste mês. A vítima foi queimada em terceiro grau após um escalda-pés no dia 5, e foi internada no Socorrão I (Centro) apenas no dia 17, onde permanece em estado grave.

O irmão do motorista, Germano Lindoso e a filha dele, Cristina Lindoso contaram a O IMPARCIAL que os mentores do suspeito tratamento se disseram membros da “Igreja Adventista do Sétimo Dia da Renovação”, do bairro Gapara. O líder se apresentou como “Waldeci” e o executor do falso tratamento, como “Carlos”. Eles induziram a família a submeter Edmilson a um tratamento de medicina alternativa desde o dia 2 de abril, prometendo cura em três meses.

Edmilson, portador de diabetes e hipertensão arterial, teve os sintomas de dormência nas pernas e cegueira parcial agravados pela suspensão da medicação industrializada, que controlava o avanço das doenças. “Waldeci” e “Carlos” convenceram os Lindoso a alimentar Edmilson apenas com vegetais temperados com alho e sal, e a dar chás a cada duas horas ao doente.

Tratamento

Folhas de Urtiga, planta conhecida por irritar a pele, foram passadas no corpo da vítima durante o tratamento. Edmilson também foi submetido à lavagem estomacal, banhos e inalações de ervas, e ao escalda-pés que provocou queimaduras de terceiro grau a vítima no dia 5. Apesar da gravidade das feridas, Edmilson foi levado ao Centro de Saúde mais próximo somente no dia 17, pois até então, a família acreditava nos benefícios do tratamento. O primeiro a notar o péssimo estado de saúde de Edmilson foi seu irmão, Germano Lindoso.

“Quando visitei meu irmão pela última vez, ele disse que estava morto”, disse. A família relatou desconforto ao modo como a imprensa tem veiculado o caso, citando o suspeito tratamento de “curandeiro”. “Quando aceitamos as orientações dos supostos evangélicos, acreditávamos que se tratava de medicina alternativa, pois era nomeada por eles de tratamento naturista. Abominamos curandeirismos, temos membros evangélicos na família. Na verdade, nós fomos enganados”, ressaltou Cristina, filha da vítima.

Igreja Adventista

A sede da igreja Adventista do Sétimo Dia no Maranhão informou que a doutrina da entidade é contrária a procedimentos de cura que desrespeitem a vida, e sejam diferentes daquelas praticadas pela medicina convencional. A filosofia da igreja não prega nem acredita em vertentes da medicina alternativa.

Os adventistas são adeptos de um estilo de vida saudável baseado na prática de exercícios e alimentação de vegetais, mas isso não faz parte das normas religiosas da entidade. A Igreja Adventista acrescentou que o suspeito “Waldeci” pode ser um ex-membro, excluído a mais de cinco anos por indisciplina. “Esse indivíduo publicava e distribuía panfletos agressivos à doutrina na porta de nossas igrejas”, complementou o vice-presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia no Maranhão, pastor Ramildo Bezerra da Silva.

Segundo a Polícia Civil, os culpados responderão por crime de lesão corporal, cuja pena varia de acordo com a gravidade das lesões. O Instituto Médico Legal (IML) foi convocado ontem para atestar o grau de lesões de Edmilson, hospitalizado na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) do Hospital Djalma Marques.

Fonte: O Imparcial