A polícia Judicial portuguesa planeja realizar escavações ao redor da igreja de Praia da Luz, sul de Portugal, onde Gerry e Kate McCann, pais de Madeleine, rezavam para encontrar a filha. A garota está desaparecida desde 5 de maio, quando sumiu do quarto de hotel onde dormia com os dois irmãos.

De acordo com o tablóide inglês The Sun, os detetives acreditam que o corpo da menor foi escondido fora da igreja de Praia da Luz, de onde pode ter sido levado posteriormente em um veículo que o casal McCann alugou três semanas após o desaparecimento da criança.

A teoria está inclusa no dossiê que a polícia portuguesa entregou na última terça à Procuradoria Geral, que por sua vez delegou o caso a um juiz de instrução criminal.

Durante o período que Madeleine desapareceu do complexo turístico de Ocean Club, muitas ruas de Praia da Luz estavam em obras, em trabalhos de calçamento, com vários buracos.

Segundo o Sun, os trabalhos de escavações poderiam ser realizados em uma área recentemente calçada fora da igreja Nossa Senhora de Praia da Luz, próximo do local onde Madeleine desapareceu. De acordo com essa versão, os detetives crêem que a garota tenha sido assassinada acidentalmente e teve seu corpo deixado temporariamente em uma zona onde estavam sendo realizados trabalhos de implantação de um jardim.

Os pais da garota, católicos devotos, assistiram em várias oportunidades a missas na igreja de Praia da Luz, onde pediram pela aparição de sua filha.

De acordo com o Sun, o casal tinha até as chaves da paróquia local, que receberam do padre da igreja, José Manuel Pacheco, um amigo pessoal dos McCann.

Nesta segunda-feira, o prelado disse não estar surpreendido que os investigadores agora estejam interessados em escavar a paróquia. “Vejo algo perfeitamente normal que a polícia realize estas inspeções, que incluem a igreja”, declarou Pacheco.

Evidências

Foi informado ainda que a polícia está pronta para escavar outros locais de Praia da Luz, como um pequeno balneário próximo de Burgau, onde os cães farejadores britânicos detectaram odor de corpo humano decomposto.

Os detetives consideram que se os pais foram responsáveis pela morte de Madeleine, teriam entrado em pânico e transportado o corpo da grota para um lugar que conheciam muito bem, como a igreja local. Para os investigadores, a evidência de DNA analisada em um laboratório do Reino Unido demonstra que o automóvel dos McCann foi utilizado para transportar o corpo da menor.

O comissário encarregado da investigação policial, o português Olegário Sousa, confirmou que alguns de seus agentes estuda realizar “inspeções secretas”. Outra fonte policial contou ao Sun que a investigação “está longe de ser concluída”. “Os investigadores estão tentando precisar se sua morte no apartamento foi acidental, negligencial ou proposital. Não puderam determinar onde foi escondido o corpo”, ressaltou.

A polícia portuguesa havia pedido permissão para realizar a escavação fora da igreja local, mas caso esse pedido seja negado , ela poderá utilizar cães farejadores e câmeras de luz infravermelha. Os McCann negam categoricamente qualquer vínculo com o desaparecimento de sua filha e prometem limpar seu nome das acusações.

O casal britânico, que mostrou indignação pelas sugestões de ter matado acidentalmente a menina e escondido corpo, retornou no domingo ao Reino Unido após deixar a casa que tinha alugado no Algarve desde então.

Na semana passada, os McCann foram interrogados separadamente pela Polícia portuguesa, que afirmou que supostos restos de sangue da menina foram encontrados no carro que alugado por eles na Praia da Luz, no Algarve, um mês depois do desaparecimento, segundo a imprensa britânica.

Fundo de ajuda

Nesta quarta-feira, o casal negou que usará o dinheiro arrecadado pelo grupo Find Madeleine para financiar sua defesa legal. Kate e Gerry McCann, ambos de 39 anos, esperam uma decisão do juiz de instrução criminal que cuida do caso, o qual poderia apresentar uma acusação formal contra o casal.

Mais cedo, a imprensa britânica havia publicado a decisão do casal de utilizar cerca de 1,4 milhão de euros com advogados caso sejam acusados. Isso poderia colocar centenas de pessoas, as quais contribuiram com o fundo de ajuda, contra o casal McCann.

O jornal The Daily Telegraph afirmou nesta quarta que se os McCann decidissem recorrer ao fundo para pagar as despesas legais de sua defesa, a medida podia enfurecer muitas pessoas que fizeram doações com o objetivo exclusivo de ajudar a procurar a menina, desaparecida em 3 de maio do quarto de um complexo turístico no Algarve (sul de Portugal). Estima-se que os McCann – ambos médicos – ganhem 170 mil euros (R$ 480 mil) brutos ao ano, mas nenhum dos dois voltou a trabalhar desde maio.

“A opinião de Gerry e Kate é que, se utilizarem o dinheiro do fundo, é possível que 90% das pessoas que fizeram as doações não se incomodem. Mas se 10% se chatearem, não querem decepcioná-los”, acrescentou o porta-voz da família, David Hughes, ressaltando que os McCann querem evitar qualquer controvérsia.

Fonte: Estadão