Em entrevista ao programa “Fantástico”, da TV Globo, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Majella Agnelo, criticou o uso da camisinha, reafirmando a posição da igreja católica.

“A camisinha faz com que as pessoas façam do relacionamento sexual momentos sem nenhuma conseqüência, sem nenhuma responsabilidade. Nós não podemos estar de acordo com a camisinha para que ela não torne a vida uma vida sem responsabilidade”, disse.

A declaração foi dada em resposta às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre conduta da igreja católica em relação ao uso de preservativos.

Na quarta-feira (7), o presidente fez um discurso criticando a hipocrisia sobre a camisinha. Lula se referiu ao assunto na apresentação de uma campanha para frear a disseminação da aids entre as mulheres.

Ele disse que “muitas vezes não se debate este tema, ‘porque a minha mãe não gosta, o meu pai não gosta, a igreja não gosta, não sei quem não gosta”. Ele pediu ainda que fosse criado um “dia de combate à hipocrisia”.

Entre os jovens da Renovação Carismática, um movimento da igreja católica, a opinião sobre o uso de preservativos segue a linha defendida pelo presidente da CNBB.

“O carinho é muito importante, o beijo é muito importante. Só que a grande diferença é que não é um namoro baseado no prazer. O que me guiou a amar a minha namorada, a ficar com ela, não foi o prazer”, disse um dos jovens entrevistados pelo “Fantástico”.

“A camisinha, quando você oferece para o jovem, você está incentivando ele: ‘Faça sexo, faça sexo’. Então é isso, prazer por prazer”, opinou uma jovem do grupo.

No início deste mês, o papa Bento XVI autorizou estudos sobre a permissão do uso da camisinha, mas apenas para um único caso: dentro do casamento e quando um dos parceiros estiver contaminado pelo vírus HIV.

A infectologista Valéria Veloso afirma que o uso da camisinha é necessário para quem tem vida sexual e que o vírus não passa pela borracha do preservativo. “São novos tempos, novas formas de se proteger para ter uma vida sexual plena”, disse.

Fonte: G1