Ao retornar da África do Sul, onde liderou a delegação brasileira na Conferência para uma Efetiva Missão Anglicana (TEAM, a sigla em inglês), o bispo primaz Maurício José Araújo de Andrade conclamou os fiéis a assumirem as recomendações do encontro e viver a missão encarnada, o papel profético e o desenvolvimento social.

A Comunhão Anglicana chamou a conferência TEAM, reunida em Boksburg, nas proximidades de Johannesburgo, de 7 a 14 de março, com o propósito de avaliar como a igreja pode melhor desempenhar a missão levando em conta os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Na abertura da conferência TEAM, o arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, destacou na celebração de abertura do encontro, realizado na Paróquia de Todas as Almas, que o grande desafio da Igreja é fazer Deus ser conhecido no mundo.

O arcebispo Njongonkulu Ndungane, primaz da igreja da África do Sul, anfitriã do evento, frisou que a Palavra de Deus não veio ao mundo através de um conceito filosófico nem como programa político, não se tornou texto, “mas carne”. O Espírito Santo, lembrou o prelado, “se parece com cada pessoa que está ao seu lado”.

O líder religioso sul-africano apontou para o drama de milhares de famílias atingidas pela pandemia do HIV/Aids. Ele mencionou que 40 milhões de pessoas vivem com o HIV/Aids, 25 milhões delas na região da África sub-saariana. A doença já tirou a vida de 25 milhões de pessoas desde 1981 e matará outras 3 milhões de pessoas este ano.

A tuberculose, prosseguiu, vai ceifar este ano 2 milhões de vidas, e a malária outro um milhão, 90% delas na África. A igreja escuta o choro de mais de 48 milhões de órfãos na região subsaariana.

“Nós ouvimos e respondemos porque servimos um Deus que escuta o clamor do oprimido”, disse Ndungane. “Deus, meu amigo, escuta e age e Ele atua através da missão da Igreja, e Ele age através de pessoas como eu e você”, agregou.

Para o arcebispo sul-africano, a igreja pode ser um importante parceiro na agenda do desenvolvimento global. Quando a igreja coopera com agências de ajuda e de desenvolvimento “nós damos a elas a oportunidade de alcançar mais pessoas, mais rápido e de modo mais eficiente”, afirmou.

Presente no evento, o diretor da campanha dos ODM pelas Nações Unidas, Salil Shetty, disse que as igrejas são uma das poucas organizações que estão em contato semanal com seus membros e podem, assim, detectar necessidades.

A Conferência TEAM reuniu mais de 400 pessoas, representantes de 30 das 38 Províncias anglicanas, que debateram temas como saúde, educação, desenvolvimento, gênero, HIV/Aids.

Na avaliação do bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Maurício Andrade, a conferência foi “uma oportunidade de partilha de diferentes experiências de realidades e contextos nas diferentes faces do anglicanismo hoje, mas que nos envolve como Igreja que precisa caminhar de modo solidário na transformação das estruturas da sociedade, vivendo o seu mandato de ser enviada ao mundo”. Ele vê a necessidade de anglicanos se articularem em redes de vivência de fé e de promover a ação diaconal da Igreja.

Fonte: ALC