O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, prometeu ajuda financeira para a reconstrução de cem igrejas e centros de oração que foram destruídos durante a violência contra os cristãos no Estado de Orissa, na Índia.

O pastor Samuel Kobia, secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) demonstrou esperança na coletiva de imprensa em Nova Déli em 18 de outubro, após um encontro com o premiê Singh, no mesmo dia.

O funcionário do CMI contou que, segundo informações de Singh, uma equipe ministerial de três pessoas visitaria Orissa para esboçarem o plano, pois o governo é responsável pela proteção dos direitos de todos os indianos.

O reverendo Samuel é da Igreja Metodista no Quênia, e também prometeu ajuda na reconstrução das casas cristãs que foram destruídas, principalmente no distrito de Kandhamal.

Os líderes cristãos da Índia dizem que as semanas de violência já deixaram cerca de 60 pessoas mortas, enquanto 50 mil pessoas ficaram desalojadas.

O reverendo Samuel enfatizou a necessidade de se haver um diálogo entre as religiões, dizendo que o extremismo e o terrorismo ameaçam a paz global, regional e nacional. Ele afirmou que as próximas gerações não vão conseguir viver em paz até que o diálogo entre as religiões seja promovido.

Os membros do CMI estão preocupados com a violação dos direitos humanos e com a opressão das minorias da Índia, e prometeram às igrejas que irão combater o radicalismo e terrorismo por meio do diálogo entre as religiões.

Em conversa com a UCA News, o reverendo Samuel salientou que a violência contra os cristãos está ligada à política no país. Ele repetiu a impressão geral que líderes da igreja têm, de que grupos nacionalistas hindus estão incitando um sentimento contra os cristãos para conseguir apoio nas eleições parlamentares no ano que vem.

Entretanto, esses grupos hindus têm negado sua participação no início da onda de violência e afirmaram que ela é uma reação natural dos aldeões hindus contra os missionários engajados em conversões forçadas.

Conselho Mundial de Igrejas promete agir

O reverendo Samuel declarou que o CMI não acredita em conversões forçadas. Converter-se para qualquer religião é uma questão de consciência individual, e ninguém pode forçar uma pessoa a fazer essa decisão, concluiu.

O CMI é uma organização que engloba 348 igrejas, principalmente das tradições protestante, anglicana e ortodoxa.

O reverendo Samuel disse que o CMI vai ajudar as pessoas afetadas em Orissa. Seus planos serão feitos com base nos relatórios do Conselho Nacional das Igrejas da Índia (NCCI), a unidade indiana do CMI.

O bispo Tharanath Sagar, presidente da NCCI, também esteve presente na coletiva de imprensa, e falou aos jornalistas presentes no evento que os cristãos têm centenas de instituições educacionais e de saúde no país, e que ajudam milhões de pessoas.

Se os missionários usassem a força para converter as pessoas, haveria mais cristãos na Índia. Os cristãos são apenas 2,3% da população de 1,02 bilhão. Mais de 80 % do povo indiano é hindu.

O bispo Tharanath disse para a UCA News que os radicais hindus estão tentando espalhar o medo entre as pessoas. “Agora, os cristãos estão com medo de ajudar os outros, temem ser molestados”, afirmou o bispo.

Conter o movimento dos grupos fanáticos é necessário, não só para proteger os cristãos, mas também para salvar o país de radicais que querem fazer da Índia um Estado teocrático hindu.

Fonte: Portas Abertas