O que não se faz por amor. É o que deveria dizer Peter Phillips, o neto mais velho da rainha Elisabeth II da Inglaterra, que, pelo que tudo indica, deverá renunciar definitivamente à possibilidade de subir ao trono já que a mulher com quem está para se casar é de religião católica.

Existe de fato uma lei de 1701, ainda em vigor, chamada Act of Settlement, que proíbe aos monarcas e aos seus herdeiros de converter-se ao catolicismo ou de casar com uma pessoa que pratica esta religião.

O casamento entre Phillips – o décimo na linha de sucessão – e Autumn Kelly de 31 anos, uma consultora de empresas canadense, foi oficialmente anunciado na semana passada no Palácio de Buckingham. Ninguém havia no entanto mencionado o fato, um pouco embaraçoso para a família real e o governo, que a futura esposa é batizada na igreja católica.

Os futuros esposos se conheceram em 2003 no Grande Prêmio de Montreal de Fórmula 1. Autumn Kelly foi batizada no dia 18 de junho de 1978 na igreja de St. John Fischer em Montreal. Autorizando a divulgação desta informação estava a mãe de Autumn, Kitty, que explicou que a filha tem orgulho da própria religião.

John Gummer, um ex-ministro conservador famoso por ter se convertido ao catolicismo, afirmou que “é desumano ter essa atitude no século 21”, referindo-se à situação de Peter Phillips.

No início deste ano o ex-ministro havia avançado no parlamento com a proposta de abolição do Act of Settlement, o qual o primeiro-ministro, Gordon Brown, havia se demonstrado favorável, anunciando planos para o fim da discriminação dos católicos no Reino Unido. A idéia era, no entanto, colocada de lado pela pressão exercida pela direita anglicana.

O cardeal Keith O’Brien, chefe da Igreja Católica da Escócia, disse ter profunda simpatia por Phillips, que trabalha no Royal Bank of Scotland em Edimburgo e não possui títulos de nobreza, e a sua namorada.

“Que seja a segunda ou a quadragésima na linha de sucessão é injusto que uma pessoa seja privada do direito de subir ao trono porque quer casar com alguém de fé católica”, disse O’Brien à revista semanal católica ‘The Tablet’.

Fonte: Ansa