Asabe Ladagu, uma viúva cristã que vive na capital do estado de Borno, no norte da Nigéria, sobreviveu aos últimos 16 meses sem nenhuma renda. Faz tempo, disse a bibliotecária, desde que os administradores muçulmanos da Politécnica Ramat a forçaram a uma aposentadoria adiantada – sem pagar.

Isso ocorreu depois que ela e outros cristãos solicitaram um terreno para construir uma igreja.

“Nós somos tratados como pessoas perigosas por sermos cristãos”, disse Asabe Ladagu. Ela trabalhou 35 anos no serviço de administração como bibliotecária e conferencista principal da Politécnica Ramat.

“Fui forçada a sair do serviço e por mais de 16 meses não fui afastada e nem tive qualquer suporte da Politécnica Ramat”, disse ela. “Outros irmãos cristãos também foram forçados a sair ou foram alvos de perseguição”.

As raízes do conflito remontam a 1991, quando um estudante muçulmano atacou um estudante cristão, ameaçando a instituição com uma crise religiosa.

Diferenças religiosas

“O estudante muçulmano bateu no estudante cristão alegando que o estudante cristão estava perturbando-o com canções de adoração dentro da sala de aula”, disse Asabe Lagadu. “Neste tempo, nós estávamos usando as salas para a nossa adoração, estudo da Bíblia, e orações porque não tínhamos um templo”.

“Percebendo que essa situação horrível precisava ser controlada, nós, os líderes da comunidade cristã, sentimos que deveríamos pedir por um terreno para que construíssemos uma capela”, disse ela.

A comunidade de cristãos se organizou para alcançar fundos suficientes para construir uma capela, mas a administração da politécnica não atendeu sua solicitação por um terreno. Asabe Lagadu lembrou da vez que foi dito para que eles calassem a boca ou pegassem a porta de saída da instituição.

“Eu me lembro de Ummara convocando os cristãos, corpo docente e alunos, para uma reunião na escola e dizendo que nós estávamos na escola para propósitos educacionais e não para a religião”, disse ela. “Ele disse que não permitiria um templo cristão na escola. Esse foi o ponto em que nós fomos marcados para a eliminação”.

Os cristãos viram a negação como uma discriminação deliberada contra os cristãos, por parte dos administradores muçulmanos, uma vez que há sete mesquitas no campus.

Demissões em série

Logo após a solicitação do terreno para construir o templo, o colega Deacon Anyetebo perdeu o emprego. O choque de receber a notícia e o estresse de não ter nenhuma renda contribuiu para sua morte difícil um mês depois, ela disse.

Depois Asabe Lagadu e a cooperadora Maryam Fika foram forçadas ao adiantamento da aposentadoria. Elas tiveram sucesso em sua petição ao Conselho da Educação para serem readmitidas, mas em seguida foram novamente afastadas.

“Depois que saímos, Deacon também foi retirado, ele morreu logo após por causa do choque. Maryam Bwala se tornou a quarta vítima cristã a ser demitida por causa da questão da capela”.

Outro cristão líder na instituição, Barnabas Atiyaye, foi o próximo a sair. “Ele foi suspenso e atormentado por várias vezes pelas agências de segurança, tudo por causa do mesmo problema”, disse Asabe. “Finalmente ele foi forçado a sair, e hoje trabalha como funcionário público das Nações Unidas em Abuja”.

Outros dois membros de apoio cristãos, John Ojediran e um funcionário identificado somente como doutor Poopola, também foram forçados a sair, disse a Asabe

Administração de muçulmanos

Segundo a viúva cristã, todos os administradores da instituição durante o período, eram muçulmanos, entre eles Babagana Tijani, Alhaji Modu Mustapha, Umar Baba Ummara e Babagana Ummar.

Eles não foram encontrados disponíveis para respostas, pois funcionários do governo são proibidos por lei de comentar questões polêmicas, especialmente problemas religiosos.

A discriminação enfraqueceu a comunidade cristã na escola, uma instituição pública pertencente ao governo do estado de Borno. A escola foi estabelecida em abril de 1978 e recebeu o nome em homenagem ao militar muçulmano, o general Murtala Ramat Mohammed, morto numa troca militar do governo em 1976.

A Politécnica Ramat tem agora um cristão entre os cinco principais funcionários na sua administração.

Fonte: Portas Abertas