Manifestantes muçulmanos e policiais entraram em confronto em frente ao Parlamento grego, em Atenas, nesta sexta-feira. Os manifestantes atacaram os policiais com paus e pedras, e a polícia reagiu com bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral.

Lojas e veículos foram alvo de vandalismo. Cerca de 30 civis ficaram feridos e 15 foram presos.

O tumulto começou com um protesto convocado pela União Muçulmana da Grécia por causa da destruição de um exemplar do Alcorão pertencente a um imigrante durante revista policial. Fotos do Alcorão rasgado foram divulgadas pela polícia, que abriu sindicância sobre o caso e ainda não sabe informar as circunstâncias em que o incidente aconteceu.

O grupo de manifestantes andou por Atenas gritando “Alá é grande” e carregando cartazes com os dizeres “tirem as mãos dos imigrantes”.

De acordo com a polícia, durante a passeata, os manifestantes começaram a atirar objetos nos policiais, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo. Os manifestantes, então, arrancaram pisos, destruíram fachadas de lojas e depredaram carros, deixando alguns no meio da rua. Pontos de ônibus e semáforos também foram destruídos.

Não foi o primeiro protesto organizado por conta da suposta destruição de um Alcorão.

Na quinta-feira (21), cerca de mil imigrantes –a maioria da Síria, Paquistão e Afeganistão- realizaram uma passeata até uma praça central, onde também destruíram lojas e veículos. Mais tarde, naquele mesmo dia, um afegão foi preso suspeito de planejar um ataque a uma delegacia de Atenas com uma bomba –o homem acabou ateando fogo ao próprio corpo.

Segundo a União Muçulmana da Grécia, o policial não-identificado que teria destruído um Alcorão será processado. “A polícia disse que precisa de mais tempo para uma sindicância, então nós movemos um processo”, disse o presidente da organização, Naim Elghandour, à agência de notícias Reuters.

“Queremos que o policial ou os policiais envolvidos sejam processados, e que o governo peça desculpas”, disse o sírio Manala Mohammed à agência Associated Press. “Queremos que as pessoas demonstrem respeito por nós.”

Fonte: Folha Online