Marisa Lobo, 40 anos, autodenominada “psicóloga cristã” e “sexóloga crente”, filiou-se ao PSC (Partido Social Cristão) do deputado-pastor Marco Feliciano e é pré-candidata a deputada federal no Paraná.

No partido, já é tratada como puxadora de votos em 2014 –ao lado de outro político neófito, o cirurgião plástico Robert Rey, o “Dr. Hollywood”, e do próprio Feliciano, o presidente a Comissão de Direitos Humanos a quem chama de “meu mentor”.

[img align=left width=300]http://noticias.gospelmais.com.br/files/2013/10/marisa-lobo-200×191.jpg[/img]Marisa, frequentadora da igreja Batista, é uma espécie de “formuladora intelectual” de Feliciano. Ela mesmo se diz “coach” do deputado que hoje lhe guia no partido.

A “amiga de longa data”, diz Feliciano, foi útil dando consultas informais. “Houve momentos turbulentos no início da minha presidência na comissão. Seus conselhos foram de grande valia, sua preocupação com minhas filhas me sensibilizou.”

O presidenciável do PSC, pastor Everaldo Pereira, do Rio, define Marisa como “mulher brava no bom sentido”, alguém que lutará pela “causa da vida e esse negócio contra maconha”.

Ele e Ratinho Jr. conduziram a cerimônia de sua filiação à sigla, em Curitiba.

As bandeiras de Marisa estão em sintonia com as do partido. Assim como seu estoque de polêmicas. Sua grande briga é contra o Conselho Federal de Psicologia, que ameaça cassar seu registro de psicóloga.

Ela é acusada de associar psicologia e religião nas redes sociais (“minha fé não nego por nada, nem pela minha profissão”, diz no Twitter). Também é acusada e apoiar a “cura gay”, o que fere o código de ética da categoria.

Marisa nega. Diz que no consultório, onde recebe “de ateu à gente do candomblé” em sessões de R$ 100, jamais ofereceu tratamento para a homossexualidade.

Lembra que acolheu por meses em casa “um homossexual pai de santo travesti com Aids”, para quem “minha empregada não queria lavar as roupas”.

BULLYING

Marisa afirma que paga R$ 258 por mês para fazer uma pós-graduação em filosofia dos direitos humanos, mas não divulga em qual entidade por temer represália.

“Sofro bullying faz tempo. Todas as faculdades [de psicologia] falam de mim como a pior profissional do mundo, a mais antiética. To-das.”

Falando “como cristã”, ela acredita ser possível reverter o desejo por alguém do mesmo sexo. “Comportamento homossexual é pecado. A Marisa Lobo psicóloga não entra nessa questão. Mas a Bíblia diz. Ponto final […] Se o desejo é não desejar pessoas do mesmo sexo, isso é direito humano dele. Se a pessoa pegar a chave do armário e se trancar, ótimo, problema dela.”

A pré-candidata está escrevendo um livro sobre “ditadura gay”. “Explico como uma teoria não-científica queer’ de desconstrução sexual, criada por LGBTT, vem sendo ensinada no mundo acadêmico e ganhando espaço social, nas relações humanas, influenciando leis, mídia, novelas, educação.”

Esse discurso, diz, “desconstrói claramente a heterossexualidade, imputando a ela o crime da imperfeição”.

ATUAÇÃO

As opiniões de Marisa têm eco em Brasília. Na Câmara, ela se destacou em audiências públicas sobre o projeto de lei que quer derrubar a norma do Conselho de Psicologia que proíbe tentativas de inibir a homossexualidade.

A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) já a convidou para o lançamento de um programa de combate ao crack, o que enfureceu ativistas.

A “psicóloga cristã”, que criou o projeto Maconha Não, endossa internações compulsórias de dependentes e repasse de recursos para comunidades terapêuticas religiosas, o que tem sido feito pelo governo Dilma Rousseff.

ORIGENS

Marisa costuma dizer que todas as causas que abraça têm conexão com seu próprio passado. Exemplo: se milita contra o aborto e a legalização da prostituição é porque seu pai conheceu sua mãe nessa situação.”Sei como é ser chamada de filha da prostituta.”

O pai, “alcoólatra que bebia remédios para emagrecer porque era vaidoso e teve uma vida bem difícil”, hoje é evangélico.

Marisa vem ganhando projeção entre evangélicos. Cobra de R$ 500 a R$ 1.000 para palestrar sobre temas como sexualidade da família e transtornos psicológicos.

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]