Psicóloga cristã Marisa Lobo
Psicóloga cristã Marisa Lobo

A psicóloga evangélica Marisa Lobo, em entrevista ao site Pleno.News, revela como tem vencido as perseguições que sofre em função da pauta de ideologia de gênero e faz alertas.

Ela já esteve no epicentro de discussões sobre homossexualidade e ideologia de gênero. Participou de vários tipos de programas de TV dando entrevistas, falando em debates.

Nascida no interior paulista, escolheu morar em Curitiba, Paraná, por 30 anos. Casada e com dois filhos, é membro da Igreja Batista do Bacacheri.

É formada desde 1996, especializada em Clínica, pós-graduada em Saúde Mental e Filosofia em Direitos Humanos. Por 15 anos tem sido pesquisadora de gênero com experiência internacional no tema “Atenção Primária à Saúde”, e ainda é consultora em dependência química há dez anos. Marisa escreveu cinco livros e também atua como articulista em vários sites e jornais. É ela que responde ao Pleno.News sobre as últimas polêmicas que envolvem seu nome.

Em sua trajetória profissional, qual tem sido seu foco de trabalho? Qual é sua linha de atuação terapêutica?

Sou cognitiva comportamental. Mas hoje me interesso e faço muitos estudos em Psicanálise. Meu foco sempre foi a área de Políticas Públicas sobre drogas e violência contra mulher, sobre a infância e sobre gênero. Escrevi três livros sobre gênero: Como Fazer de seu Filho uma Criança Feliz, Ideologia de Gênero na Educação e Famílias em Perigo. Atualmente estou em fase de revisão de um livro sobre identidade.

Você se sente, de fato, perseguida como profissional? E também como pessoa?

Totalmente! A OAB do Paraná, inclusive, fez um relatório, através de sua comissão de Liberdade Religiosa, reconhecendo meu caso como perseguição religiosa “descabida”. Já recebi notas de repúdio do Conselho de Psicologia, já tentaram barrar minhas palestras em igrejas, tentam me barrar em universidades, conselheiros vão assistir minhas palestras para me intimidar com sua presença, filmam; fazem o que chamamos de violência simbólica. O Conselho do Paraná entrou na Justiça Civil contra mim, pedindo dano moral por eu me posicionar contra o ativismo dos Conselhos de Psicologia (perdeu a causa e não cabe mais recursos). De todas as maneiras, eles tentam calar minha boca, me amordaçar.

Quais são seus maiores desafios e aflições diante de suas crenças religiosas e convicções profissionais?

Saber os limites entre ciência, ativismo e religião, é o desafio de todo profissional. O pior é ter que provar o tempo todo que não uso a religião no exercício de minha profissão. Existe uma pressão e um ativismo dos Conselhos, que induzem a sociedade e a mídia a acreditarem que faço isso, quando já provei em processo que não uso religião. Mas o que eles almejam é me marcar como uma religiosa para que eu não tenha direito de voz. Só que não adiantou. Hoje as pessoas querem me ouvir até dentro das universidades. O ativismo tenta me impedir de falar. Mas falo de ciência e não de religião no espaço acadêmico, o que é muito perigoso para os que querem reorientar o mundo na sua sexualidade e nos seus valores. Sou um impedimento para suas agendas progressistas.

No mais, o que sinto é meu. E ninguém tem poder sobre meus sentimentos. Sei sobre limites jurídicos, até onde posso ir e até onde não devo ir. A lei e a minha fé me direcionam. Parece paradoxal, mas minha fé me ensina a respeitar o outro, a ser cientista e não religiosa em minhas lutas em favor da saúde mental das crianças. Pode parecer religioso defender as crianças, a família – é o que a militância diz – mas é a ciência que nos respalda. Logo, estamos vivendo um paradoxo e um conflito constitucional e de direitos. Quem vence? A verdade, o bom senso, a ciência ou o ativismo? A militância ativista esquerdista só entende a linguagem do ativismo ideológico partidário. Eu vejo a pluralidade de ideias e exponho minha opinião. Não aceito ser impedida de falar. É meu direito constitucional, aprendi a usá-lo sem medo.

O que pensa sobre o que denominaram de “cura gay”?

Penso que foi uma engenharia social maquiavélica a criação proposital desse termo e seu uso pelos Conselhos, principalmente, de Psicologia. Trata-se de uma irresponsabilidade sem precedentes. “Cura gay” nunca existiu e não existe. É uma falácia que tem a finalidade de induzir ódio e preconceito contra todos os profissionais que tentam discutir a ciência na Psicologia. É uma ferramenta para confundir a mídia, o judiciário. Nunca existiu cura gay, muito menos a tentativa de curar alguém. Existe um ativismo cruel, que usa esse termo para causar um conflito, uma guerra entre profissionais e entre homos e heteros, entre religiosos e ateus. É puro ativismo político-partidário para vitimar uma classe e ganhar tempo para o ativismo de outra, que apenas o usa como massa de manobra.

Como tem sido hoje a sua relação com o Conselho Nacional de Psicologia? Ainda se sente penalizada?

Minha relação é jurídica, apenas me defendo dos processos e das tentativas de perseguição, de profissionais (fiscais) que têm ido em algumas de minhas palestras para causar factoides com a finalidade de me processar e me repudiar. Em pleno século 21, uma pesquisadora tem que viver se defendendo na Justiça contra um conselho ditador que: não aceita a contradição da ciência, só aceita um lado de uma questão, diz defender a pluralidade de ideias, mas não aceita debater com opositores. Também fala em diversidade, mas nega a eficácia dela, não dá direito à contradição científica, e fecha questão em assuntos polêmicos e plurais. É confuso, paradoxal e extremamente manipulador.

Como avalia os casos de ex-gays?

O ser humano tem o direito de ser o que quiser. Essa é a máxima dos direitos humanos. Como especialista em direitos humanos, dou ao sujeito o lugar de sua existência. E, como psicóloga, não posso julgar esse lugar, mas apenas acolher e ajudar todo ser humano a resolver seus conflitos, que são únicos, subjetivos. Nenhum psicólogo pode dizer que não ou que sim, apenas acolher. É o que faço. Acredito no sujeito. Se ele ou ela diz que é um ex-gay, como posso duvidar ou julgar? Minha obrigação é acolher e dar um lugar a essa existência.

O que é a disforia de gênero?

É um termo recente, usado pela Psiquiatria e pela Psicologia para explicar, de forma menos “preconceituosa”, a transexualidade que é uma forte identificação com o sexo oposto. Ou seja, é um sentimento de inadequação com o seu sexo de nascimento, um desconforto. A pessoa que possui disforia de gênero não se aceita e quer pertencer ao outro sexo. Busca ajuda para alterar e mudar sua imagem, sua performance, seus estereótipos. A transexualidade passou a ser considerada uma disforia de gênero, termo cunhado por John Money em 1973. Em 1994, o Comitê do DSM-IV substituiu o diagnóstico de Transexualismo pelo de Transtorno de Identidade de Gênero (Fonte: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-10).

Quais os desdobramentos de cirurgias trans que têm sido feitas no Brasil e no mundo?

Há inúmeros alertas internacionais como o do Colegiado Americano de Pediatria, da Clínica Hopkins, que condena veementemente a promoção da ideologia na infância, considerando um gerador de conflitos. Estão tratando a puberdade como uma doença. A ideologia de gênero, segundo vários alertas mundiais, tem gerado conflitos psíquicos que se desdobram para a disforia de gênero que, na maioria dos casos, é construída por moda, pela nova cultura que elimina e desfaz todos os papéis masculinos e femininos, misturando todos os gêneros, causando, então, essa “disforia midiática” ou seja, um conflito de identidade.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), que passou a ser conhecido como DSM-5, classifica disforia de gênero como distúrbio/desordem/transtorno mental. O DSM-5 deixou de usar o termo transtorno de identidade de gênero e transgênero por não ser o termo médico correto. E passou a usar o termo correto disforia de gênero. Para o CID-10 e todos os manuais estatísticos de diagnóstico de saúde mental, a transexualidade é considerada um transtorno de identidade de gênero. No Brasil, é essa classificação que garante às pessoas transexuais o direito à terapia hormonal, à psicoterapia e à cirurgia de redesignação sexual. Essa busca indiscriminada por tratamento hormonal e cirurgias tem sido criticada por profissionais e especialistas em todo mundo.

Como a ciência se encaixa nesse conflito cultural?

A ciência não pode ceder ao ativismo político. Contra a ciência não cabem malabarismos. A ciência não pode ser manipulada por grupo algum, ela tem que ser neutra, tem que ter a coragem de falar a verdade, não pode se intimidar e se calar. Do contrário, vamos gerar um caos cultural sem volta. A ciência não pode ser ativista, política ou cultural.

Em quase 20 anos clinicando, recebeu alguma reclamação ou processo de algum paciente?

Nunca! Sempre fui muito respeitada, sempre respeitei meus pacientes e suas demandas. Palestrei em muitas universidades e nunca ofendi ninguém. Mas bastou eu reclamar da erotização do tal “kit gay”, que o ativismo politico ideológico partidário passou a pensar que eu havia me tornado a pior psicóloga do Brasil. Minhas contribuições, inclusive internacionais, sobre drogas, por exemplo, sofrem com essa desconstrução. Desde 1986, trabalho na área, luto contra a legalização das drogas. No entanto, com um olhar mais humano para os dependentes químicos. Todas as minhas lutas foram jogadas no lixo, seja pelo ativismo, seja pelo LGBT ou pela Psicologia. Tenho até um trabalho, reconhecido pelo próprio Conselho de Psicologia nos anos 90, sobre sexualidade e que me rendeu um estágio no Mount Sinai Hospital, em Nova York, Estados Unidos. Mas muitos não suportam o contraditório e tentam assassinar a reputação dos outros. Nossa Psicologia está precisando de terapia. Está adoecida em seu ativismo.

Fale de seu livro A Ideologia de Gênero na Educação e sobre a influência dele nas escolas.

É um livro que descreve todo o histórico da tentativa de incluir a ideologia na educação por meio do Plano Nacional (PNE) e pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Mostra aos pais, aos gestores e aos professores que não aceitam essa ideologia, o valor de lutar científica e legalmente. Além de ensinar didaticamente a como se defender contra essa doutrinação escolar. O livro alerta a reconhecer um doutrinador e desmascara materiais didáticos e toda a falácia da ideologia de gênero. Faz vários alertas importantes neste momento tão conturbado da sociedade. E ensina, de forma prática e simples, a como lutar contra essa reorientação mundial da sexualidade humana, sem ofensas, mas pelo direito.

Você tem sido criticada por se aproveitar do apoio de pessoas como Silas Malafaia, Marcos Feliciano e Magno Malta para se promover. O que tem a dizer?

Criticada por quem? Posso lhe afirmar que qualquer pessoa que diga isso, o faz por sentimentos de inveja e medo. Inveja porque não se conforma. Afinal, com tanta perseguição, Deus me elevou aos mais altos lugares. Para quem se diz cristão e não é, acha incompreensível – vale lembrar que o ego destronou o diabo. Outros têm medo. Imagine uma mulher sozinha que consegue o respeito de pessoas ilustres, sem assessoria, sem salário, sem cargos eletivos, apenas com coragem, com dignidade, com determinação, tendo a coragem de pagar o preço, mesmo sendo discriminada em todas as esferas. Essa mulher ainda continua de pé. Só pode ser Deus! Que os verdadeiros crentes se rendam a esta verdade: se nos entregamos nas mãos de Deus, o milagre acontece. Estou a serviço do Reino e de causas, não de pessoas. Para os incrédulos, digo: se apavorem mesmo. É poder do alto, não de pessoas.

Como toda essa polêmica tem afetado seu trabalho?

Não consigo mais trabalhar como gostaria. A agenda é lotada, descanso pouco e, graças a Deus, não posso “me dar ao luxo” de parar. Atrapalhou um pouco os atendimentos em meu consultório, pois só atendo com encaminhamento, com muito cuidado, já que, por diversas vezes, tentaram armar arapucas. Mas sem sucesso. Para evitar, tomo muito cuidado e isso desgasta. Porém só tenho a agradecer por minha vida, que em 2017 foi fantástica! Quase todos os meus sonhos foram realizados. Eu e meu esposo estivemos palestrando, participando de audiências públicas, promovendo seminários, em quase todos os estados… Enfim, Deus tem nos honrado, apesar e além das perseguições. Vivo o cumprimento das promessas de Deus.

Como vive hoje?

Feliz por ter tomado a atitude certa, sem ceder a esse ativismo. Apesar das críticas, sempre acreditei estar no caminho correto. Não neguei minha fé e ainda estudei muito para entender que tenho direitos. Hoje, aprendi e repasso a realidade de que temos direitos constitucionais. Tenho convites internacionais para 2018. E, confesso que a perseguição me incomodou, me humilhou e me estressou, mas tornei-me resiliente. Não permiti que o escárnio me afetasse, dei a volta por cima. Toda essa perseguição me fez mais forte e melhor como pessoa, me trouxe muitos frutos.

Posso dizer que vivo hoje no cumprimento das promessas de Deus. Tenho lutas e creio que ainda terei. Mas dentro de mim existe um gigante que não me deixa desanimar, que me ensinou a crescer no deserto em meio as perseguições. E tenho muita gente em todo o Brasil que luta por mim, sejam pastores, sejam igrejas, que reconhecem e respeitam meu ministério, que me adotaram em oração, que me sustentam em oração. Nada paga esse amor e esse carinho, conquistado por nosso ministério (meu e de meu marido).

Fale de seu livro Famílias em Perigo.

É um livro que ensina acerca de toda ideologia de gênero. Pesquisei conflitos culturais, leis, culturas mundiais, feminismo, ativismo, a fim de esclarecer sobre reorientação cultural por meio da sexualidade humana. Todos os conflitos mundiais sobre esse tema estão no livro, que também aborda a desconstrução de famílias como um alerta para a sociedade. Sim, estamos sendo reorientados por força de um ativismo ideológico político oportunista em nossa heterossexualidade. Essa cultura relativista desconstrucionista é apenas um braço da revolução socialista que pretende se consolidar no Brasil. Meu livro esclarece e prepara o leitor para se posicionar contra essa desconstrução familiar e de valores.

O que tem a dizer aos pais e à sociedade?

O relativismo dos valores e dos princípios são os piores vilões da sociedade. Lutem contra eles. Não desanimem, invistam em seus filhos, na educação, monitorem seus filhos, leiam seus livros, conheçam seus filmes, programas de TV, internet, seus amigos. Amem mais seus filhos, participem de reuniões escolares. Ensinem seus filhos a amar o próximo, a tolerar os diferentes em amor e respeito, sem ter que se desconstruir ou se erotizar para isso.

Fonte: Pleno.News