Depois do turbilhão que viveu, com o caso das gravatas, o rabino Henry Sobel (foto) tem planos de retomar suas atividades na Congregação Israelita Paulista (CIP), cujo Rabinato presidiu nos últimos 37 anos.

“Vou voltar em setembro, nas festividades do Rosh Hashaná, o ano novo judaico”, disse ele em entrevista exclusiva que o Jornal da Tarde publica em sua edição desta segunda-feira.

Segundo ele, ainda não está definido o cargo que ocupará. “Haverá um novo rabino contratado para ampliar o rabinato e torná-lo mais ativo. Não foram definidas quais as minhas funções, mas vou continuar vinculado à Congregação e, certamente, terei um cargo. Não sei se de presidente do Rabinato ou presidente emérito, ou rabino mor. Essa volta é que vai garantir a minha continuidade na CIP e no País”, explicou.

Sobel tem lugar assegurado em registros históricos do País, principalmente nas páginas sobre a defesa dos direitos humanos durante o regime militar. Nos anos 1970, ele e o cardeal d. Paulo Evaristo Arns surgiram como porta-vozes da resistência contra os abusos da ditadura, denunciando, por exemplo, o assassinato do jornalista Vladimir Herzog.

Mas no dia 23 de março passado Sobel marcou sua biografia com um fato constrangedor: foi detido em Palm Beach, Flórida, acusado de furtar cinco gravatas das marcas Louis Vuitton, Giorgio’s, Gucci e Giorgio Armani. Sobre isso, ele diz pouco se recordar. Mas lembra com clareza do que passou (e ainda passa) quando pára para se penitenciar.

Segundo Sobel, a repercussão do incidente foi dolorosa, mas ele não culpa a mídia. Vê apenas algum exagero. “A imprensa foi honesta. Sofri muito, porém, se você me permite falar, me senti massacrado pela mídia. No fundo, ela relatou o que aconteceu. Era o papel dela, não tenho queixas. Mas poderia ter sido poupado, um pouco, do exagero, da repetição, da ênfase sobre o ato por parte da mídia falada.”

Fonte: Estadão