A briga para ganhar audiência e mercado publicitário faz a Record, emissora da Igreja Universal do Reino de Deus, investir cada vez mais. Novas máquinas, novos profissionais e até novo espaço.

A próxima trama Caminhos do Coração, que estréia dia 28, já grava em um dos oito estúdios novos que estão sendo construidos em seu pólo de dramaturgia no Rio, o Recnov.

O Recnov foi inaugurado timidamente com 38 mil metros quadrados em 2005, e já atinge 200 mil metros quadrados, com planos de ampliação. “Fizemos um investimento de US$ 300 milhões em dramaturgia”, anunciou o presidente da emissora Alexandre Raposo, na festa que aconteceu esta semana no MAM, para comemorar os números.

A nova novela vai usar e abusar desse investimento. Caminhos do Coração pretende mostrar muito efeito especial, numa história que inclui crianças mutantes, circo e fertilização in vitro. Cada capítulo gira em torno de R$ 200 mil. “Os primeiros capítulos saíram a R$ 300 mil, mas como morre muita gente, esse custo caiu. Foi um corte na folha de pagamento”, brinca o autor Tiago Santiago.

Na ponta do lápis porém, esse corte nem seria necessário. Pelos valores de “Vidas Opostas”, cada 1 minuto e 10 do break comercial, que tem cerca de 3 minutos, sai por 9 milhões por mês. Como a trama fica cerca de 8 meses no ar, se o anunciante permanecer durante todo esse tempo, vai desembolsar um total de R$ 72 milhões.

Parte desse orçamento vai para pagar salários competitivos para o primeiro time da casa. A protagonista Bianca Rinaldi fatura em torno de R$ 40 mil. Um cachê de estrela da Globo.

A emissora investiu também na tecnologia. Comprou o programa Autocad Inferno, onde serão editados os efeitos especiais. “Se não ficar bom podemos editar os capítulos nos EUA”, avisa Tiago.

Além da dramaturgia, o jornalismo da emissora também ganhou atenção especial. Até o final do ano, vai estar no ar a Record News, com sinal aberto em UHF. Um investimento de US$ 50 milhões em telejornalismo já na era digital. “Estive na feira de equipamentos nos EUA e hoje nosso jornalismo já está preparado para a era digital com o que há de melhor”, afirma Raposo.
Trabalho segue em patrulha

Não é somente o perfil comercial da Record que mudou. A emissora, conhecida por ser vinculada à Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, é cada vez gerenciada como uma empresa independente. |”A igreja é mais um dos nossos clientes, vendemos o horário da madrugada para eles, como outras emissoras também fazem”, afirma o presidente Alexandre Raposo, que descarta também o gerenciamento da Igreja na programação.

“Temos uma programação independente. Se o autor da novela decidir que uma cena de candomblé é importante para a trama, ela entrará. Isso aconteceu em Escrava Isaura”, exemplifica Raposo. Essa liberdade se estende a Caminhos do Coração. “A trama continuará a cativar o público masculino com o personagem de Leonardo Vieira, que é um delegado. Mas será mais leve que “Vidas Opostas”, terá menos violência e mais humor”, avisa o autor Tiago Santiago.

Desvincular a imagem da emissora da Igreja, porém, não é tarefa fácil. Na festa que comemorou a boa fase da Record, o ator Bemvindo Siqueira disparava o slogan: “Deixei de ser global para ser universal.”

Fonte: O Dia